segunda-feira, outubro 03, 2005

Gravidez Precoce, um tema que não se esgota







Gravidez precoce

Há anos, vi um programa de Serginho Grossman com a Sue Johanson  lembro que ficou espantada ao saber que as jovens, apesar de informadas, saberem que é preciso se prevenir contra a gravidez, muitas vezes engravidam. Sue ficou pasma quando o Serginho perguntou para a platéia se conheciam alguma jovem adolescente que tenha engravidado e, praticamente, todos conheciam.

O que acontece? Por que nossos jovens, apesar de informados, não usam camisinha ou outro tipo de cuidado?

Vou copiar aqui o trecho de uma palestra que faço para pais de adolescentes, eu escrevo e falo numa linguagem acessível a todos.


Gravidez precoce.


Uma mocinha que engravida aos 13/14 anos, na maior parte das vezes, não acreditava que ficaria grávida.

Vocês se lembram dos seus pais dizendo : “cuidado com a bicicleta” ou cuidado para não cair e você estar certo de que o pai ou a mãe estava exagerando, pois tinha certeza que não ia acontecer nada. Muitas vezes, não aconteceu, mas noutras aconteceu. O mesmo se dá com a gravidez, a jovem não acredita que aquela relação vá levá-la à gravidez, ou pensa que com ela não irá acontecer, este pensamento nós chamamos de mágico, onipotente, só porque pensa não irá acontecer, é assim que o jovem pensa.

O rapaz geralmente não está nem aí, para ele o problema é dela. Ele está errado, porque no caso de uma gravidez, ele também será responsabilizado, mas a sociedade coloca a responsabilidade maior na mulher. Quem não se preveniu foi ela, quem foi leviana foi ela, mas ela não estava fazendo sexo sozinha.

Muitas vezes a moça fica grávida na primeira relação, que é uma relação difícil para os dois, um encontro tenso, cheio de ansiedades. Ele sem querer usar camisinha para não falhar e ela insegura, não quer fazer nada que possa aborrecê-lo, também não quer parecer mais experiente que ele- “viu a safadinha, já sabia usar camisinha...” ou para mostrar que o quer de qualquer forma mesmo correndo risco.

Adolescente gosta de desafios e jogar com a possibilidade de engravidar ou não, pode ser uma jogada inconsciente na sorte ou o desejo de ter uma identidade própria, será mãe. Muitas vezes esta jovem é completamente invisível socialmente, a gravidez dá visibilidade a ela.

Quantos de vocês devem ter tido a primeira relação atrapalhada, apressada, às vezes em lugares improvisados?

Como resolver esta questão? Não é fácil, mas também não é impossível, tudo se resolve.

Quando acontece a gravidez geralmente fica escondida até não poder mais, tentam coisas para abortar, pulam,tomam aspirinas, coisas que as amigas ensinam.

As jovens não têm coragem de falar com os pais o que ocorre, até que fique tão evidente que não há mais como esconder. Então o que os pais devem fazer?

Tentar não se desesperar nem fazer escândalo, tudo tem saída.

Os pais geralmente gritam, esperneiam, até verem que não há outra saída a não ser tentar ser razoável.

Vem a culpa, “a culpa é tua, devia ter falado com ela!” “é tua, sempre distante, não toma conhecimento com os filhos!” e por aí vai...

Não adianta tentar encontrar os culpados, é hora de conversar, o que não foi conversado antes, procurar ajuda de gente mais esclarecida, mais madura e procurar um médico.

O pai do futuro bebê já sabe? Precisa saber, precisa ser responsável também, no caso do seu filho ser o homem, ele precisa assumir a paternidade, ser responsável. Se não se amam é melhor que não oficializem a relação, são muito jovens, terão outras relações amorosas.

Se a moça não quer o filho será necessário o apoio de um psicólogo/a, um médico para orientar.

Os avós serão sempre avós, não devem assumir o neto/a como se fosse seu filho, isto trará problemas futuros, os jovens precisam assumir suas responsabilidades, aos pais cabe ajudar no que for preciso, mas não assumir completamente a criança.

Aceitar as mudanças na vida é fundamental e todo adolescente nos colocará diante de situações novas. As crises são boas para melhorarmos, para crescermos, aproveitem as crises e se renovem.

Como vocês veem, eu não falei em aborto, nem educação sexual, deixo para outro dia.
Aborto é um tema que preciso abordar com cuidado nas palestras, é um tema tabu ainda.

Vocês concordam com o que eu disse no texto acima?

8 comentários:

disse...

100%. E daí se alimenta a indústria dos abortos clandestinos...

BethS disse...

Puxa, querida, acertou na mosca!
Ate um pouquinho de tempo atras, o pai expulsava a menina de casa - a mãe ajudava escondido,não perdia o vínculo, cansei de ver essa situação. Hoje isso é mais raro. Gostei muito de você ter falado que os avós são avós e não pais. Muitos casos a avó assume mesmo a criança - isenta a filha da responsabilidade.
Achei tão boa essa sua palestra!
Aonde você costuma se apresentar?? qual é o público?
Muito bom.
Grande beijo!

Elianne disse...

Zé, é verdade.

Beth, faço palestras em colégios, fiz várias no interior daqui, platéia mto pobre, eu gosto muito, é mto gratificante. Faço em colégios particulares tbm. Esta sobre aborto é parte de outra maior sobre adolescentes " Como lidar com meu filho adolescente" ou aluno, vou postar aos poucos aqui.
Vou te mandar por email os temas.
Tenho sobre auto estima, encontros e desencontros amorosos.
Fico contente com o retorno de vcs.
Obrigada.

Anônimo disse...

Elianne, lembro que no início da minha vida sexual o que mais me aterrorizava era a possibilidade de ficar grávida. Meu medo maior não era nem assumir um filho, e sim a reação da minha mãe, ha ha ha. Meus pais já não iam muito com a cara do meu namorado. Enfim, usei camisinha e pílula desde o início. Mas claro que eu era uma adolescente bem informada, com dinheiro para comprar os contraceptivos, e tinha muito juízo. A maioria dos jovens nessa idade é muito mais inconseqüente, e óbvio que conheci muitas meninas que engravidaram cedo demais. Sou inclusive a favor do aborto nesses casos.

Elianne disse...

Anônima, mas não tanto,
que bom que foi uma jovem bem informada e consciente. Muitas não tiveram esta oportunidade, sabemos de muitos casos, a geração anterior à minha, mandava as filhas para fora do país qdo acontecia uma gravidez indesejada, ou a mãe sumia com a filha e vinha com o neto como se fosse seu filho ou adotado, a gente vê nas novelas, não é?
Felizmente o quadro mudou, pelo menos discute-se mais, há informação, ainda assim é complicado, por isso é melhor adiar a iniciação sexual, acho que não deve existir pressa. Os jovens devem amadurecer um pouco para fazer sexo, não é fácil, mas é possível. Concorda?

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

O que acontece com um jovem que tem 21 anos, se engravida uma adolescente que tem aproximadamente 16 anos. O que ira acontece se ele nao assumir a criança ?

Elianne disse...

Anônimo, o rapaz de 21 anos terá que ser responsável. Não existe a possibilidade de não ser. O teste de DNA hoje tira as possíveis dúvidas. Mas, não é melhor resolver tudo numa boa, sem precisar a Justiça dizer o que se deve fazer?
Também acredito que será penalizado se fugir à responsabilidade, não sou especialista em leis, mas a moça é menor de idade...
Vou pedir orienção p um especialista e respondo vc oportunamente.
Obrigada por estar aqui participando,
Elianne