quinta-feira, novembro 04, 2010

O dia em que caiu o véu e o preconceito




Muito triste isto. Vivi no sul, depois sudeste e nunca havia visto uma reação hostil tão intensa.

Vivo no nordeste, admiro o nordestino pela força, pelo trabalho. Não é um povo, como pensam muitos, que vive na rede, ou de esmola- é um povo que trabalha sob um sol de deserto, sem água, sem sombra, sem refresco.

Observo isto desde que cheguei- usam camisas de mangas compridas- um dia perguntei a um pedreiro o porquê: Para não pegar tanto sol.

Imaginem, sol a pino, 40°, e você trabalhando das sete às cinco da tarde, com 20' para almoçar.

Me referi aqui aos trabalhadores de obras, que são os que eu pude ver de perto enquanto faziam minha casa e as outras do condomínio. Eles continuam aqui ao lado construindo outro condomínio para a classe média alta viver.
São simples, não têm inveja, agradecem o que têm. Dizem naquele sol escaldante quando passo por um e digo:

- Que sol, hein?

- É, mas graças a Deus temos emprego.

Nordestino não vive de esmola, trabalha se tem emprego, trabalha duro. Vejo os vizinhos, saem cedo, mal os vejo, voltam tarde- muitos à noite, estudam.

Lamento que uma elite arrogante pense ser melhor do que este povo daqui. Prefiro mil vezes uma pessoa simples do que o esnobismo do frequentador de um shopping center.

Evito citar os lugares dos ataques contra nós- também me incluo, afinal escolhi viver aqui-porque sei que não vem de um setor apenas, de uma região- aqui mesmo em Natal ouvi uma pessoa dizer que Dilma iria ganhar porque a esmola do Lula  funcionou.

Não sou especiaista no assunto, mas sei que alguns ganham, sim, uma cesta básica- ou bolsa família- para que os filhos não morram de fome. Há muita pobreza ainda, sim- há mulheres sozinhas, muitas, criando vários filhos sem recursos nenhum- sem instrução, sem apoio, sem saúde- estas são beneficiadas com o Bolsa família. Estas são beneficiadas com o leite para os filhos. Algumas se drogam, vendem o que recebem em cesta básica- esta é uma realidade que eu sei que está muito próxima de mim- ali onde minha faxineira mora.

Como condenar à morte esta geração de mulheres e crianças? Como fingir que não existem?
Por isso votei em Dilma.

O mínimo que um Governo precisa fazer por um povo é não deixá-lo morrer de fome. Lula não deixou e ofereceu emprego, abriu frentes de trabalho- eu vejo aqui o número enorme de obras da construção civil. Ai, dizem, a classe média se ferra. Não, esta classe se beneficia com as facilidades de um financiamento para comprar uma casa própria- é o que acontece por aqui. Ai, não?

Eu nunca fui lulista nem dilmista, mas no momento em que vi Dilma ser atacada assumi o meu papel de mulher na campanha- não poderia permanecer impassível diante de tantos ataques a uma pessoa que lutou por democracia enquanto eu me fechava por medo.

Obrigada Lula, obrigada Dilma!

Sorte e vida longe para os dois.

E quanto a este povinho reacionário, insensível, cego à pobreza que ainda persiste, o nosso desprezo.

Não pensem que por viveram em cidades com mais recursos, mais ricas, isso faz de vocês pessoas melhores- pelo contrário- estão  mostrando o que há de pior nos Homens- o preconceito, o racismo, o ódio, quando todos somos irmãos.

Alguém duvida?

O Brasil nasceu aqui. Ou não sabem história do Brasil?

Minha família tem origem na Paraíba, lembrei agora.

Vídeo daqui:

Mayara Petruso quer afogar nordestinos. Ela não é a única | Blog do Rovai

Um comentário:

Eurico disse...

Sollidarizo-me, amiga, cá do Recife.
Somos todos iguais em todo o mundo.
Somos uma só raça, a raça humana.
E viva a mulher brasileira.

Muita paz pra todos os que buscam a paz.
E que ainda sobre um pouquinho pros que não a querem.
Paz pra todos!