quarta-feira, julho 21, 2010

A autoestima no mundo atual I





Esta palestra eu faço para plateias diversas, por isso o tom coloquial e fácil de entender- prefiro sempre assim.


A autoestima no mundo atual


Escolhi falar da autoestima, que é um tema bastante atual, para pensarmos juntos sobre este tema.

Há um trecho de em “Mulheres Alteradas 3”, de Maitema- uma argentina que faz desenhos de humor- que ilustra bem a relação das mulheres no mundo atual.
Este texto também é válido para os homens, pois sabemos o quanto sofrem pelas exigências do mundo moderno.
Maitema começa falando de 1920, quando as mulheres estavam ansiosas por um bom marido, e isto bastava, e vai acrescentando, década a década, mais desejos e expectativas.
Quando chega a 1990 ela diz:

“Em 1990, nós mulheres, estávamos ansiosas por uma paixão, obcecadas por conseguir um bom marido, preocupadas em ser boas mães, inquietas por estudar alguma coisa útil, transtornadas para participar de coisas interessantes, culpadas por trabalharmos fora...estressadas por exigir-nos conquistas profissionais...e desesperadas para nos vermos jovens, magras e sem celulite!!”

Ganhamos em muitos aspectos na vida moderna, mas, em outros, a exigência é cada vez maior.
Ganhamos em liberdade de escolha, mas o leque de escolhas hoje é muito maior.
É preciso, além de ter sucesso profissional, ter sucesso na vida pessoal, ter uma atividade extra interessante, ser politicamente correto, ser magro, bonito, inteligente e, como diz Maitema, sem celulite, no caso das mulheres.
No caso dos homens, o ideal é uma barriga de tanquinho, e que se mantivessem sempre energizados.
Se todos nós procuramos ser felizes, por que algumas pessoas têm uma autoestima melhor do que outras? Por que algumas sentem-se mais confortáveis na vida, vivem em paz com o que têm, enquanto outras são insatisfeitas e nada as satisfaz?
Vamos pensar:
Como foi a nossa infância? Fomos crianças alegres, saudáveis, sentíamo-nos protegidos pelos nossos pais? Ou tínhamos medo dos pais?
Guardamos lembranças que até hoje machucam? Sentíamo-nos sem direito algum? Como era a relação de nossos pais ? Havia amor entre eles? Respeitavam-se?

A base da estrutura psíquica de todos nós é a família.
A mãe, principalmente, é fundamental para estabelecer uma boa autoestima. A mãe é o elo entre a criança e o mundo externo. Através da mãe a criança vai tomando consciência do mundo fora dela, vai tendo as primeiras frustrações e satisfações.

É muito mais difícil viver a ausência da mãe do que do pai.
A mãe biológica poderá faltar, mas existem figuras significativas para as crianças que ocupam este lugar.
Uma criança amada, que foi amamentada, bem cuidada na primeira infância, terá maior autoestima que uma criança rejeitada, mal cuidada, do que uma criança que foi dada para adoção, ou abandonada. Mas, e a criança que foi amada e ainda assim tem baixa autoestima? Talvez ela precisasse de maiores provas de amor, talvez tenha se sentido abandonada, pode ter sido por alguns minutos, mas este sentimento ficou registrado em seu inconsciente- o sentimento de abandono na infância faz um adulto inseguro- a qualquer momento ele poderá ser abandonado imaginariamente. Ele viverá em busca de um certificado de garantia de que não será mais abandonado- mesmo nas relações de amizade ou trabalho. Sua insegurança não permitirá que vivencie com alegria a vida, pois o risco de perda e abandono será sempre iminente. Como ser feliz se a qualquer momento poderá sofrer o luto do abandono, abandono real ou imaginário? Pouco importa, a dor é a mesma.

É possível resgatar a autoestima perdida ou construí-la?
Em algumas pessoas o abandono é tão presente que se tornam melancólicas precisando de ajuda profissional, um psicólogo, psicanalista, médico.

Vamos pensar o que é preciso para melhorar a nossa autoestima.

O que é importante para nós? Fazemos escolhas na vida, somos norteados pelo que nos é prioritário.
O que é ter sucesso na vida?
Sucesso para cada um de nós pode representar algo diferente.
Para alguns ter sucesso é ter um bom parceiro/a, ser bem sucedido nas relações familiares, ganhar dinheiro, ser reconhecido profissionalmente;
para outros, ser famoso/a, poder comprar tudo que deseja, viajar...


Continua...

3 comentários:

Mani disse...
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Elianne Diz de Abreu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Regina Azevedo disse...

Excelente artigo, Eliane. Sua visão é muito alinhada à minha, como dito no livro Mulher de Verdade (http://oplivros.com.br/index.php?pag=livro&id=1)Creio que é chegado o momento de acabarmos com os modelos impostos e nos enbcontrarmos, cada qual, de acordo com a própria forma e essência. Parabéns, bjks!