sábado, maio 19, 2007

Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes











Foto "Anjos do sol"


Adote esta causa
.

Não passe por cima, não finja não ver, fale mais sobre isto, discuta.

O dia 18 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O objetivo do dia é mobilizar o governo e a sociedade para combater essa forma cruel de violação de direitos de meninas, meninos e jovens brasileiros.

A violência sexual praticada em crianças e adolescentes pode manifestar-se de diversas formas, sendo as de maior ocorrência, o abuso sexual dentro da própria família e a exploração sexual para fins comerciais, como a prostituição, a pornografia e o tráfico. Todas as suas expressões constituem crime e são, sem dúvida, cruéis violações dos direitos humanos.

As crianças e os adolescentes vulneráveis a esse tipo de violência sofrem danos irreparáveis para o seu desenvolvimento físico, psíquico, social e moral...


Mais aqui

sábado, abril 07, 2007

Malhem o Judas, mas sejam da paz


















Interessante, Cristo veio ao mundo para nos salvar e ensinar que é preciso amar uns aos outros. E perdoar. Aí, o próprio cristianismo incita à vingança: "Malhem o Judas, vamos". Incitam crianças a colocarem jogo num boneco de pano, construído com as roupas dos próprios pais, irmãos. Ele pode ser, naquele contexto, o prefeito, o presidente, Bush, sei lá. Mas é violência e é incitação à violência.
No futuro poderá ser um indio, um mendigo, um gay, alguém que o sujeito ache que merece ser malhado, excluído.
O mundo está violento assim por causa destes pequenos atos inconseqüentes nossos. Não adianta ir às ruas e pedir paz e no Sábado de Aleluia ir para a esquina e colocar fogo num boneco com cara de gente, roupa de gente e nomeado. É violência e das brabas.
Quando menina via na esquina de casa e sempre me chocou. Ontem vindo para casa à noite vislumbrei dois "homens" enforcados num poste. Daqui à pouco estarão sendo espancados e com fogo ateado nas suas vestes, até virarem apenas cinzas. Para mim isto não tem graça nenhuma.
Estou errada?
E no blog onde achei esta foto tem um selinho para salvar animais. Contradição porque ele fez um post incitando à malhação do Judas.

quinta-feira, julho 20, 2006

Tapinha não dói? Dói, e como!













Esta foto é terrível, não é? É da Google.

Encontrei um artigo sobre bater em crianças e alguém diz o que eu sempre digo, se bater em adultos é proibido, errado, em bichos é crueldade, por que em crianças é educação? Leiam aqui
Eu havia escrito sobre isto a pedido de um jornal no ano passado, está aqui.

quarta-feira, julho 19, 2006

3° Concurso Tim Lopes de Investigação Jornalística – Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

3º Concurso Tim Lopes

Inscrições vão até dia 31 de julho

Serão premiadas as melhores idéias de pautas; jornalistas também receberão bolsa estímulo para realizar a investigação
Objetivo é estimular a imprensa a ampliar e qualificar a cobertura
sobre exploração sexual comercial de crianças e adolescentes


As inscrições para o 3° Concurso Tim Lopes de Investigação Jornalística – Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes , vão até 31/7. Repórteres, editores (inclusive executivos) e chefes de reportagem podem se inscrever. Diferentemente da maioria das premiações jornalísticas - que reconhecem matérias prontas -, os participantes apresentam sugestões de pautas especiais. Os escolhidos em cada categoria recebem apoio financeiro e técnico para realizá-las, além de prêmio em dinheiro.



Com essa estratégia, o objetivo do concurso é estimular a imprensa brasileira a desenvolver propostas de pautas que contribuam para ampliar e qualificar a cobertura sobre essas formas de violação dos direitos infanto-juvenis.



Esta 3ª edição traz duas novidades. As categorias "Jornal" e "Revista", consideradas separadamente nas edições anteriores, foram reunidas em uma única modalidade, denominada "Mídia Impressa". Também foi criada a categoria "Temática Especial", que irá premiar projetos de reportagens sobre o tema "Abuso e Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes nas Rodovias Brasileiras". As demais categorias são "Rádio", "TV" e "Mídia Alternativa" (que inclui veículos da Internet).



Como participar

O candidato deverá mandar uma Proposta de Pauta detalhada sobre o tema. Esta deverá conter justificativa, roteiro de produção da matéria ou série de reportagens, pessoas envolvidas, relação dos gastos que serão feitos (estimativa) e das fontes que inicialmente serão ouvidas. A descrição das despesas não poderá conter pagamento de salários dos profissionais ou materiais como fitas de vídeo, nem gastos com edição. Esses custos deverão ser arcados pela empresa de comunicação.



Todas essas informações devem ser apresentadas em formulário próprio disponível no site do projeto: www.andi.org.br/timlopes. Onde também está disponível o Regulamento completo e o modelo da Carta Compromisso – a qual deverá ser assinada pelo diretor do veículo de comunicação e registrada em cartório, garantindo que a empresa irá apoiar a produção da reportagem caso seu funcionário vença o concurso.



Sobre o apoio financeiro e a premiação

A divulgação dos resultados do 3° Concurso Tim Lopes será feita em 18 de agosto de 2006. Abaixo, os valores que os vencedores de cada categoria receberão para produzir as reportagens:



CATEGORIA
VALOR DA BOLSA DE INCENTIVO À PRODUÇÃO

Mídia Impressa
R$ 9.500,00

Rádio
R$ 9.500,00

TV
R$ 14.500,00

Mídia Alternativa
R$ 9.500,00

Especial: Exploração Sexual Comercial nas Rodovias
R$ 9.500,00 ou R$ 14.500,00*



* De acordo com o tipo de veículo vencedor: R$ 9.500,00 para Rádio, Mídia Impressa e Mídia Alternativa; e R$ 14.500,00 para TV.



O vencedor de cada categoria recebe o prêmio de R$ 2.500, após a publicação / veiculação da reportagem. Em caso de inscrição conjunta entre mais de um jornalista, a forma de divisão desse valor fica a cargo dos participantes.



Vencedores de edições anteriores falam sobre importância do Concurso

Ganhadora da 2ª edição, na categoria Jornal, Jaqueline Ferreira (O Liberal, de Belém – Pará) diz que o Concurso Tim Lopes dá ao profissional a condição de pesquisa que a maioria dos veículos de comunicação não tem como oferecer. "Gosto muito do prêmio. Ele garante o recurso que o jornalista precisa para desenvolver sua pauta. A bolsa é dada e ele tem total liberdade para conduzir o trabalho". Jaqueline afirma que, assim, o jornalista tem melhores condições de alcançar o maior prêmio que pode ganhar, que é produzir um material realmente de qualidade.


Também ganhador no 2º Tim Lopes, categoria Revista, Alan Rodrigues (Isto É – São Paulo) considera a iniciativa "espetacular" e explica as razões. "Primeiro por estimular o jornalista a pesquisar, conhecer, entender e divulgar os crimes absurdos praticados contra as crianças. Depois, por fornecer a bolsa para o desenvolvimento do trabalho, condição que a maioria dos veículos não tem. Em resumo, o Tim Lopes funciona como um incentivo ao bom jornalismo", diz Alan Rodrigues.


Nelcira Nascimento participou das duas primeiras edições do Prêmio. Ao lado da jornalista Ângela Bastos, produziu a série de matérias "Acolhimento com dignidade" que venceu a categoria Rádio no primeiro ano da iniciativa realizada por WCF e ANDI. A série mobilizou todos os veículos do grupo RBS no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. "Acho que não houve um cidadão nestes dois estados que não tenha tomado contato com o conteúdo destas matérias", diz Nelcira.

Segundo ela o prêmio Tim Lopes proporcionou um crescimento coletivo às redações do Grupo RBS. "Nós trabalhamos todas as matérias à luz do ECA, evitando constranger as crianças e adolescentes vítimas de violência ou fazê-las reviver a violência de que foram vítimas", afirma Nelcira. O prêmio, prossegue, "é uma das melhores iniciativas do jornalismo brasileiro porque valoriza e prestigia o envolvimento dos profissionais com a causa da infância".


Promoção

O concurso Tim Lopes é promovido pela ANDI – Agência de Notícias dos Direitos da Infância e pelo Instituto WFC-Brasil, com apoio técnico do Unicef – Fundo das Nações Unidas para a Infância, OIT – Organização Internacional do Trabalho, Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas e Abraji – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo.



Comissão Julgadora

Será formada pela ANDI, pelo Instituto WCF-Brasil e por organizações parceiras. Participam ainda profissionais renomados da área de comunicação e representantes dos movimentos de defesa da criança e do adolescente com atuação em programas de prevenção e atendimento a vítimas de abuso e exploração sexual.



Homenagem

O nome do prêmio é uma homenagem ao jornalista da Rede Globo que foi assassinado por traficantes de drogas enquanto investigava casos de exploração sexual de adolescentes em bailes funk em uma favela do Rio de Janeiro.



Edições anteriores

Em sua primeira edição, em 2002, o Concurso Tim Lopes premiou as seguintes reportagens:



l Caderno especial Confissões de Família, das jornalistas Maria Clarice Dias, Juliana César Nunes e Marina Oliveira, publicado pelo Correio Braziliense (DF).

l Caderno especial Nos jardins da infâmia, de Suzana Varjão, Ricardo Mendes e Suzana Zucolo, publicado pelo jornal A Tarde (BA) .

l Reportagem Dormindo com o inimigo, de Mônica Beatriz Figueiredo e Bia Sant'Anna, publicada pela revista MTV (SP).

l Série de matérias Acolhimento com dignidade, de Nelcira Nascimento e Ângela Bastos, veiculada pela Rádio Gaúcha (RS) e pelo Diário Catarinense (SC).

l Série de reportagens Infância Roubada, de Walace Lara e Ana Quezado, veiculada pela TV Verdes Mares (CE).



Na edição seguinte, em 2004, os vencedores foram:



l Reportagens Perigo Digital, Bandido ou Doente e Exemplo da Europa, dos jornalistas Alan Rodrigues e Mário Simas Filho, publicadas pela revista Istoé.

l Série de reportagens sobre exploração sexual na fronteira norte brasileira, da jornalista Jaqueline Ferreira e do repórter fotográfico Renato Chalú, publicadas pelo jornal O Liberal (PA).

l Série A Infância no Limite, do Jornalista Amigo da Criança Mauri König e do repórter fotográfico Albari Rosa, publicada pela Gazeta do povo (PR).

l Série Asas feridas, dos alunos do Núcleo de Jornalismo Experimental do Curso de Comunicação Social da Faculdade Social da Bahia, coordenado pelos jornalistas Leandro Colling, Walter Fernando Garcia e Rosana Zucolo, publicada pelo site Agência Baiana de Notícias.

l Série Radiografia da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes , da equipe de Márcia Detoni, veiculada pela Radiobrás.



As reportagens mencionadas podem ser encontradas por meio do site www.andi.org.br/timlopes.



Informações:



ANDI – Agência de Notícias do Direitos da Infância

SDS – Ed. Boulevard Center, Bloco A sala 101

CEP: 70.391-900 – Brasília – DF

Telefone: (61) 2102-6538

FAX: (61) 2102-6550

E-mail: timlopes@andi.org.br

Site: www.andi.org.br/timlopes



Instituto WCF – Brasil
Carolina Padilha – coordenadora de projetos

(11) 3841-4890

tprado@wcf.org.br ou wcf@wcf.org.br

www.wcf.org.br

quinta-feira, maio 18, 2006

Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes













Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, é bom parar e pensar no número enorme de crianças e adolescentes que sofrem de violência sexual, a maioria em silêncio, sob ameaçadas. E não é só nas classes mais pobres, não, em todas. Como ele ficará quando adulto? será que será um ser violento também?

Coloco o clipping da TerrAmar daqui do Rio Grande do Norte desta semana para vocês lerem.

Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes


Programa Sentinela de Apodi faz campanha contra o abuso sexual de crianças

Comissão aprova sugestão que altera Estatuto da Criança

Estudantes vão participar de caminhada contra exploração sexual

Uma semana de luta contra a exploração sexual

Violência contra crianças e adolescentes é tema de seminário


Programa Sentinela de Apodi faz campanha contra o abuso sexual de crianças

O Programa Sentinela da Prefeitura Municipal de Apodi-RN, rebatizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social como um serviço especializado no enfretamento a exploração e o abuso sexual de criança e adolescente, está desenvolvendo, desde ontem, uma extensa programação na cidade com o objetivo de estimular o aumento de denúncias contra os atos de violência sexual infanto-juvenil, bem como para construir uma consciência coletiva na garantia dos direitos humanos da criança e do adolescente. "O primeiro objetivo é até preventivo, como forma de evitar a violência e o segundo visa dar condições para que esses jovens possam desenvolver uma sexualidade saudável, respeitando todas as etapas de suas vidas", explica a assistente social Elzilene Oliveira, coordenadora do programa.

Programa - Formado por uma assistente social, um educador e um psicólogoo programa acompanha, assiste, encaminha, faz inclusão social, registra e mapeia os acontecimentos, atendendo as vítimas e suas famílias, e também o agressor, caso seja requisitado. O trabalho de prevenção é feito de forma sistemática através de palestras, oficinas, panfletagem e divulgação de informações.
(Gazeta do Oeste - Mossoró, Cidades - 16/05)

Comissão aprova sugestão que altera Estatuto da Criança

Proposta apresentada pelo Conselho de Defesa Social de Estrala do Sul (MG), que modifica o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8069/90), a fim de dispensar municípios com população inferior a cinco mil habitantes de criar o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente foi aprovada, na Comissão de Legislação Participativa. As atribuições seriam assumidas pelo Conselho Tutelar, que por serem permanentes e autônomos, costumam ter uma atuação mais efetiva do que os conselhos municipais. A sugestão prevê, ainda, limitar ao Ministério Público, o direito de iniciar os procedimentos legais por meio de representação contra órgãos públicos ou entidades privadas acusados de infração às normas de proteção às crianças e adolescentes. Assim, o Ministério poderá ser induzido por notícias de infração encaminhadas pelo Conselho Tutelar ou autos preparados por pessoas qualificadas (servidor público ou voluntário credenciado pelo conselho) e assinados por duas testemunhas. Nestes casos, o voluntário deve possuir mais de 25 anos e experiência em trabalhos de defesa das crianças e adolescentes.
(Gazeta do Oeste - Mossoró, Cidades - 16/05)

Estudantes vão participar de caminhada contra exploração sexual

Começou, domingo passado, a campanha educativa contra a prostituição infanto-juvenil e consumo de drogas em Pau dos Ferros-RN. O primeiro dia foi marcado pela apresentação da campanha em programas de rádio. A campanha terá programa de rádio até a sexta-feira, 18, dia nacional de combate à prostituição infanto-juvenil. A programação prevê participação de juiz, promotor, Conselho Tutelar, Ongs e representantes da sociedade civil. Na quinta-feira será realizada uma caminhada pelo centro da cidade. O ato contará com a participação de alunos de todas as escolas de Pau dos Ferros.
(Jornal de Fato - Mossoró, Estado - 16/05, O Mossoroense - Mossoró, Regional - 16/05)

Uma semana de luta contra a exploração sexual

Em Natal, uma semana inteira marcará o combate à exploração sexual. A Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas), em conjunto com organizações não-governamentais, promove, a partir de hoje, uma série de eventos que têm como objetivo não só a conscientização, mas também a divulgação do Programa de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A semana também será marcada pelo lançamento do Plano Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil, amanhã, às 8h, no auditório do INSS, e por um seminário sobre proteção aos direitos das crianças e adolescentes, na quarta-feira, a partir das 8h, no mesmo local. Por fim, 18 de maio será marcado por uma caminhada em Ponta Negra, principal foco do problema da exploração sexual.
(Correio da Tarde - Natal, Natal - 16/05, Diário de Natal - Natal, Cidades - 16/05, Tribuna do Norte - Natal, Natal - 16/05)

Violência contra crianças e adolescentes é tema de seminário

O Grupo de Desenvolvimento de Área (PDA) Margarida Alves e o Grupo Mulheres em Ação promovem no próximo dia 18, em Mossoró-RN o Seminário sobre Violência Doméstica Contra Criança e Adolescente. O evento será realizado no Dia Nacional de Combate à Violência, ao Abuso e à Exploração Sexual Contra Criança e Adolescente. De acordo com uma das organizadoras do evento, Janielly Mendonça, o seminário terá atividades nos dois períodos do dia. Pela manhã serão realizadas 3 oficinas com adolescentes e jovens sobre a temática da violência doméstica. À tarde haverá roda de conversa com os palestrantes Olegário Ferreira Gomes - promotor da Vara da Infância e da Juventude, Humberiana Maniçoba Almeida Brilhante - presidente da 33ª zona do Conselho Tutelar, Creuzeluce Almeida Rego - presidente da 34ª zona do Conselho Tutelar e Francisca das Chagas Damasceno de Castro - coordenadora administrativa do Grupo Mulheres em Ação. A programação será encerrada com apresentações artístico-culturais e uma caminhada contra violência doméstica.
(Correio da Tarde - Natal, Mossoró - 16/05)

Este clipping traz o resumo das principais notícias publicadas na mídia norte-rio-grandense sobre crianças e adolescentes, reproduzindo de forma resumida seu conteúdo, não opinando sobre ele. Os jornais clipados são Diário de Natal, Tribuna do Norte , O Jornal de Hoje (Natal), O Mossoroense , Gazeta do Oeste e Jornal de Fato (Mossoró).
Equipe da Companhia TerrAmar/Rede ANDI: Eugênio Parcelle, Graciema Carneiro, Ana Emília Galvão, Ângela Rodrigues e Ticianne Perdigão.

Fale com a gente: ciaterramar@ciaterramar.org.br
Endereço: Rua Açu, 394, Sala 401, Ed. Dulcinéia, Tirol.
Tel: 84 3201-0984
CEP: 59020-110

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sábado, maio 06, 2006

Doctor Freud- o nosso mestre.





































SIGMUND FREUD



No dia 6 de maio de 1856, na Morávia, nasceu Sigmund Freud. Grande pensador e observador do homem, causou verdadeira revolução no pensamento no sec. XX. O próprio Freud tinha uma noção do papel que ele viria a representar na cultura: “Não me considero um grande homem; apenas fiz uma grande descoberta.”
Todas as artes sofreram uma profunda influência da psicanálise. O homem moderno não seria o que é sem a descoberta do inconsciente de Freud, da sexualidade infantil e outras, como o Complexo de Édipo. Somos o que somos porque este homem judeu de rara inteligência teve a ousadia de dizer o que pensava e passar adiante. Foi um extraordinário escritor, um homem extraordinário. Eu sou 'apaixonada' por ele, vocês já devem saber. Achei esta entrevista, acho que quem gosta de pensar sobre a vida vai gostar de ler.

O jornalista americano, George S. Viereck, entrevistou Freud para uma publicação, “Glimpses of the Great”. Vale a pena ler.

O VALOR DA VIDA


Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serena humildade.

Quem fala é o professor Sigmund Freud, o grande explorador da alma. O cenário da nossa conversa foi uma casa de verão no Semmering, uma montanha nos Alpes austríacos.

Eu havia visto o pai da psicanálise pela última vez em sua casa modesta na capital austríaca. Os poucos anos entre minha última visita e a atual multiplicaram as rugas na sua fronte. Intensificaram a sua palidez de sábio. Sua face estava tensa, como se sentisse dor. Sua mente estava alerta, seu espírito firme, sua cortesia impecável como sempre, mas um ligeiro impedimento da fala me perturbou.

Parece que um tumor maligno no maxilar superior necessitou ser operado. Desde então Freud usa uma prótese, para ele uma causa de constante irritação.



S. Freud
: Detesto o meu maxilar mecânico, porque a luta com o aparelho me consome tanta energia preciosa. Mas prefiro ele a maxilar nenhum. Ainda prefiro a existência à extinção.

Talvez os deuses sejam gentis conosco, tornando a vida mais desagradável à medida que envelhecemos. Por fim, a morte nos parece menos intolerável do que os fardos que carregamos.

Freud se recusa a admitir que o destino lhe reserva algo especial.
Por quê – disse calmamente - deveria eu esperar um tratamento especial? A velhice, com sua agruras chega para todos. Eu não me rebelo contra a ordem universal. Afinal, mais de setenta anos. Tive o bastante para comer. Apreciei muitas coisas – a companhia de minha mulher, meus filhos, o pôr do sol. Observei as plantas crescerem na primavera. De vez em quando tive uma mão amiga para apertar. Vez ou outra encontrei um ser humano que quase me compreendeu. Que mais posso querer?



George Sylvester Viereck
: O senhor teve a fama, disse que Sua obra influi na literatura de cada país. O homem olha a vida e a si mesmo com outros olhos, por causa do senhor. E recentemente, no seu septuagésimo aniversário, o mundo se uniu para homenageá-lo – com exceção da sua própria Universidade.


S. Freud: Se a Universidade de Viena me demonstrasse reconhecimento, eu ficaria embaraçado. Não há razão em aceitar a mim e a minha obra porque tenho setenta anos. Eu não atribuo importância insensata aos decimais.

A fama chega apenas quando morremos, e francamente, o que vem depois não me interessa. Não aspiro à glória póstuma. Minha modéstia não e virtude.



George Sylvester Viereck: Não significa nada o fato de que o seu nome vai viver?



S. Freud
: Absolutamente nada, mesmo que ele viva, o que não e certo. Estou bem mais preocupado com o destino de meus filhos. Espero que suas vidas não venham a ser difíceis. Não posso ajudá-los muito. A guerra praticamente liquidou com minhas posses, o que havia poupado durante a vida. Mas posso me dar por satisfeito. O trabalho é minha fortuna.

Estávamos subindo e descendo uma pequena trilha no jardim da casa. Freud acariciou ternamente um arbusto que florescia.


S. Freud: Estou muito mais interessado neste botão do que no que possa me acontecer depois que estiver morto.



George Sylvester Viereck
: Então o senhor é, afinal, um profundo pessimista?



S. Freud
: Não, não sou. Não permito que nenhuma reflexão filosófica estrague a minha fruição das coisas simples da vida.



George Sylvester Viereck
: O senhor acredita na persistência da personalidade após a morte, de alguma forma que seja?



S. Freud
: Não penso nisso. Tudo o que vive perece. Por que deveria o homem construir uma exceção?



George Sylvester Viereck: Gostaria de retornar em alguma forma, de ser resgatado do pó? O senhor não tem, em outras palavras, desejo de imortalidade?



S. Freud
: Sinceramente não. Se a gente reconhece os motivos egoístas por trás de conduta humana, não tem o mínimo desejo de voltar a vida, movendo-se num círculo, seria ainda a mesma.

Além disso, mesmo se o eterno retorno das coisas, para usar a expressão de Nietzsche, nos dotasse novamente do nosso invólucro carnal, para que serviria, sem memória? Não haveria elo entre passado e futuro.

Pelo que me toca estou perfeitamente satisfeito em saber que o eterno aborrecimento de viver finalmente passará. Nossa vida é necessariamente uma série de compromissos, uma luta interminável entre o ego e seu ambiente. O desejo de prolongar a vida excessivamente me parece absurdo.



George Sylvester Viereck
: Bernard Shaw sustenta que vivemos muito pouco, disse eu. Ele acha que o homem pode prolongar a vida se assim desejar, levando sua vontade a atuar sobre as forças da evolução. Ele crê que a humanidade pode reaver a longevidade dos patriarcas.

S.Freud
: É possível, respondeu Freud, que a morte em si não seja uma necessidade biológica. Talvez morramos porque desejamos morrer.

Assim como amor e ódio por uma pessoa habitam em nosso peito ao mesmo tempo, assim também toda a vida conjuga o desejo de manter-se e o desejo da própria destruição.

Do mesmo modo com um pequeno elástico esticado tende a assumir a forma original, assim também toda a matéria viva, consciente ou inconscientemente, busca readquirir a completa, a absoluta inércia da existência inorgânica. O impulso de vida e o impulso de morte habitam lado a lado dentro de nós.

A Morte é a companheira do Amor. Juntos eles regem o mundo. Isto é o que diz o meu livro: Além do Princípio do Prazer.

No começo, a psicanálise supôs que o Amor tinha toda a importância. Agora sabemos que a Morte é igualmente importante.

Biologicamente, todo ser vivo, não importa quão intensamente a vida queime dentro dele, anseia pelo Nirvana, pela cessação da "febre chamada viver", anseia pelo seio de Abraão. O desejo pode ser encoberto por digressões. Não obstante, o objetivo derradeiro da vida é a sua própria extinção.

Isto, exclamei, é a filosofia da autodestruição. Ela justifica o auto-extermínio. Levaria logicamente ao suicídio universal imaginado por Eduard von Hartmann.



S.Freud
: A humanidade não escolhe o suicídio porque a lei do seu ser desaprova a via direta para o seu fim. A vida tem que completar o seu ciclo de existência. Em todo ser normal, a pulsão de vida é forte o bastante para contrabalançar a pulsão de morte, embora no final resulte mais forte.

Podemos entreter a fantasia de que a Morte nos vem por nossa própria vontade. Seria mais possível que pudéssemos vencer a Morte, não fosse por seu aliado dentro de nós.

Neste sentido acrescentou Freud com um sorriso, pode ser justificado dizer que toda a morte é suicídio disfarçado.

Estava ficando frio no jardim.

Prosseguimos a conversa no gabinete.

Vi uma pilha de manuscritos sobre a mesa, com a caligrafia clara de Freud.



George Sylvester Viereck
: Em que o senhor está trabalhando?



S. Freud
: Estou escrevendo uma defesa da análise leiga, da psicanálise praticada por leigos. Os doutores querem tornar a análise ilegal para os não médicos. A História, essa velha plagiadora, repete-se após cada descoberta. Os doutores combatem cada nova verdade no começo. Depois procuram monopolizá-la.



George Sylvester Viereck
: O senhor teve muito apoio dos leigos?



S. Freud
: Alguns dos meus melhores discípulos são leigos.



George Sylvester Viereck: O senhor está praticando muito psicanálise?



S. Freud
: Certamente. Neste momento estou trabalhando num caso muito difícil, tentando desatar os conflitos psíquicos de um interessante novo paciente.

Minha filha também é psicanalista, como você vê...

Nesse ponto apareceu Miss Anna Freud acompanhada por seu paciente, um garoto de onze anos, de feições inconfundivelmente anglo-saxônicas.



George Sylvester Viereck: O senhor já analisou a si mesmo?



S. Freud: Certamente. O psicanalista deve constantemente analisar a si mesmo. Analisando a nós mesmos, ficamos mais capacitados a analisar os outros.

O psicanalista é como o bode expiatório dos hebreus. Os outros descarregam seus pecados sobre ele. Ele deve praticar sua arte à perfeição para desvencilhar-se do fardo jogado sobre ele.



George Sylvester Viereck
: Minha impressão, observei, é de que a psicanálise desperta em todos que a praticam o espírito da caridade cristão. Nada existe na vida humana que a psicanálise não possa nos fazer compreender. "Tout comprendre c'est tout pardonner".

Pelo contrário! – bravejou Freud, suas feições assumindo a severidade de um profeta hebreu. Compreender tudo não é perdoar tudo. A análise nos ensina não apenas o que podemos suportar, mas também o que podemos evitar. Ela nos diz o que deve ser eliminado. A tolerância com o mal não e de maneira alguma um corolário do conhecimento.

Compreendi subitamente porque Freud havia litigado com os seguidores que o haviam abandonado, por que ele não perdoa a sua dissensão do caminho reto da ortodoxia psicanalítica. Seu senso do que é direito é herança dos seus ancestrais. Una herança de que ele se orgulha como se orgulha de sua raça.

Minha língua, ele me explicou, é o alemão. Minha cultura, mina realização é alemã. Eu me considero um intelectual alemão, até perceber o crescimento do preconceito anti-semita na Alemanha e na Áustria. Desde então prefiro me considerar judeu.

Fiquei algo desapontado com esta observação.

Parecia-me que o espírito de Freud deveria habitar nas alturas, além de qualquer preconceito de raças que ele deveria ser imune a qualquer rancor pessoal. No entanto, precisamente a sua indignação, a sua honesta ira, tornava o mais atraente como ser humano.

Aquiles seria intolerável, não fosse por seu calcanhar!,

Fico contente, Herr Professor, de que também o senhor tenha seus complexos, de que também o senhor demonstre que é um mortal!

Nossos complexos, replicou Freud, são a fonte de nossa fraqueza; mas com freqüência são também a fonte de nossa força.



George Sylvester Viereck
: Imagino, observei, quais seriam os meus complexos!
S Freud: Uma análise séria, respondeu Freud, dura ao menos um ano. Pode durar mesmo dois ou três anos. Você está dedicando muitos anos de sua vida à "caça aos leões". Você procurou sempre as pessoas de destaque para a sua geração: Roosevelt, o Imperador, Hindenbug, Briand, Foch, Joffre, Georg Bernard Shaw...

- É parte do meu trabalho.



George Sylvester Viereck
: Mas é também sua preferência. O grande homem é um símbolo. A sua busca é a busca do seu coração. Você está procurando o grande homem para tomar o lugar do seu pai. É parte do seu "complexo do pai".

Neguei veementemente a afirmação de Freud. No entanto, refletindo sobre isso, parece me que pode haver uma verdade, ainda não suspeitada por mim, em sua sugestão casual. Pode ser o mesmo impulso que me levou a ele.

Gostaria, observei após um momento de poder ficar aqui o bastante para vislumbrar o meu coração através dos seus olhos. Talvez, com a Medusa, eu morresse de pavor a ver minha própria imagem! Entretanto, receio ser muito informando sobre a psicanálise. Eu freqüentemente anteciparia, ou tentaria antecipar suas intenções.

S.Freud
: A inteligência num paciente, replicou Freud, não é um empecilho. Pelo contrário, às vezes facilita o trabalho.

Neste ponto o mestre da psicanálise diverge de muitos dos seus seguidores, que não gostam de excessiva segurança do paciente sob o seu escrutínio.



George Sylvester Viereck
: Às vezes imagino, questionei, se não seríamos mais felizes se soubéssemos menos dos processos que dão forma a nossos pensamentos e emoções. A psicanálise rouba a vida do seu último encanto, ao relacionar cada sentimento ao seu original grupo de complexos. Não nos tornamos mais alegres descobrindo que nós todos abrigamos, o criminoso e o animal.

S.Freud
: Que objeção pode haver contra os animais? replicou Freud. Eu prefiro a companhia dos animais à companhia humana.



George Sylvester Viereck
: Por quê?



S. Freud
: Porque são tão mais simples. Não sofrem de uma personalidade dividida, da desintegração do ego, que resulta da tentativa do homem de adaptar-se a padrões de civilização demasiado elevados para o seu mecanismo intelectual e psíquico.

O selvagem, como o animal, é cruel, mas não tem a maldade do homem civilizado. A maldade é a vingança do homem contra a sociedade, pelas restrições que ela impõe. As mais desagradáveis características do homem são geradas por esse ajustamento precário a uma civilização complicada. É o resultado do conflito entre nossos instintos e nossa cultura.

Muito mais desagradáveis são as emoções simples e diretas de um cão, ao balançar a cauda, ou ao latir expressando seu desprazer. As emoções do cão, acrescentou Freud pensativamente, lembram-nos os heróis da Antigüidade. Talvez seja essa a razão porque inconscientemente damos aos nossos cães nomes de heróis antigos como Aquiles e Heitor.

- Meu cachorro, disse eu, é um doberman Pinscher chamado Ajax.

Freud
sorriu.

- Fico contente de que não possa ler. Ele certamente seria um membro menos querido da casa, se pudesse latir sua opinião sobre os traumas psíquicos e o complexo de Édipo!



George Sylvester Viereck:
Mesmo o senhor, Professor, sonha a existência complexa demais. No entanto, parece-me que o senhor seja em parte responsável pelas complexidades da civilização moderna. Antes que o senhor inventasse a psicanálise não sabíamos que nossa personalidade é dominada por uma hoste beligerante de complexos muito questionáveis. A psicanálise torna a vida um quebra-cabeças complicado.

- De maneira alguma, respondeu Freud. A psicanálise torna a vida mais simples. Adquirimos uma nova síntese depois da análise. A psicanálise reordena um emaranhado de impulsos dispersos, procura enrolá-los em torno do seu carretel. Ou, modificando a metáfora, ela fornece o fio que conduz a pessoa fora do labirinto do seu inconsciente.

- Ao menos na superfície, porém, a vida humana nunca foi mais complexa. E a cada dia alguma nova idéia proposta pelo senhor ou por seus discípulos torna o problema da condução humana mais intrigante e mais contraditório.

- A psicanálise, pelo menos, jamais fecha a porta a uma nova verdade.



George Sylvester Viereck
: Alguns dos seus discípulos, mais ortodoxos do que o senhor, apegando-se a cada pronunciamento que sai da sua boca.

S.Freud: A vida muda. A psicanálise também muda, observou Freud. Estava apenas no começo de uma nova ciência.



George Sylvester Viereck
: A estrutura científica que o senhor ergueu me parece ser muito elaborada. Seus fundamentos – a teoria do "deslocamento", da "sexualidade infantil", do "simbolismo dos sonhos", etc. – parecem permanentes.



S. Freud
: Eu repito, porém, que nós estamos apenas no início. Eu sou apenas um iniciador. Consegui desencavar monumentos soterrados nos substratos da mente. Mas ali onde eu descobri alguns templos, outros poderão descobrir continentes.



George Sylvester Viereck: O senhor ainda coloca a ênfase sobretudo no sexo?



S. Freud
: Respondo com as palavras do seu próprio poeta, Walt Whitman: "Mas tudo faltaria, se faltasse o sexo" ("Yet all were lacking, if sex were lacking"). Entretanto, já lhe expliquei que agora coloco ênfase quase igual naquilo que está "além" do prazer – a morte, a negociação da vida.

Este desejo explica porque alguns homens amam a dor – como um passo para o aniquilamento! Explica porque os poetas agradecem a

Whatever gods there be,

That no life lives forever

And even the weariest river

Winds somewhere safe to sea.

("Quaisquer deuses que existam/ Que a vida nenhuma viva para sempre/ Que os mortos jamais se levantem/ E também o rio mais cansado/ Deságüe tranqüilo no mar".)



George Sylvester Viereck
: Shaw, como o senhor, não deseja viver para sempre, comentei, mas à diferença do senhor, ele considera o sexo desinteressante.
S.Freud: Shaw, respondeu Freud sorrindo, não compreende o sexo. Ele não tem a mais remota concepção do amor. Não há um verdadeiro caso amoroso em nenhuma de suas peças. Ele faz brincadeira do amor de Júlio César – talvez a maior paixão da História. Deliberadamente, talvez maliciosamente, ele despe Cleópatra de toda grandeza, reduzindo-a uma insignificante garota.

A razão para a estranha atitude de Shaw diante do amor, para a sua negação do móvel de todas as coisas humanas, que tira de suas peças o apelo universal, apesar do seu enorme alcance intelectual, é inerente à sua psicologia. Em um de seus prefácios, ele mesmo enfatiza o traço ascético do seu temperamento.

Eu posso ter errado em muitas coisas, mas estou certo de que não errei ao enfatizar a importância do instinto sexual. Por ser tão forte, ele se choca sempre com as convenções e salvaguardas da civilização. A humanidade, em uma espécie de autodefesa, procura negar sua importância.

Se você arranhar um russo, diz o provérbio, aparece o tártaro sob a pele. Analise qualquer emoção humana, não importa quão distante esteja da esfera da sexualidade, e você certamente encontrará esse impulso primordial, ao qual a própria vida deve a perpetuação.



George Sylvester Viereck: O senhor sem dúvida foi bem sucedido em transmitir esse ponto de vista aos escritores modernos. A psicanálise deu novas intensidades à literatura.



S. Freud:
Também recebeu muito da literatura e da filosofia. Nietzsche foi um dos primeiros psicanalistas. É surpreendente até que ponto a sua intuição prenuncia as novas descobertas. Ninguém se apercebeu mais profundamente dos motivos duais da conduta humana, e da insistência do princípio do prazer em predominar indefinidamente. Zaratustra diz:

"A dor

Grita: Vai!

Mas o prazer quer eternidade

Pura, profundamente eternidade"

A psicanálise pode ser menos amplamente discutida na Áustria e na Alemanha que nos Estados Unidos, a sua influência na literatura é imensa, porém.

Thomas Mann e Hugo von Hofmannsthak muito devem a nós. Schnitzler percorre uma via que é, em larga medida, paralela ao meu próprio desenvolvimento. Ele expressa poeticamente o que eu tento comunicar cientificamente. Mas o Dr. Schnitzler não é apenas um poeta, é também um cientista.



George Sylvester Viereck
: O senhor, repliquei, não é apenas um cientista, mas também um poeta. A literatura americana, continuei, está impregnada da psicanálise.

Hupert Hughes Harvrey O'Higgins e outros fazem-se de seus intérpretes. É quase impossível abrir um novo romance sem encontrar referência à psicanálise. Entre os dramaturgos, Eugene O'Neill e Sydney Howard tem profunda dívida para com o senhor. The Silver Cord, por exemplo, é simplesmente uma dramatização do complexo de Édipo.

- Eu sei, replicou Freud, e apresento o cumprimento que há nessa constatação. Mas tenho receio da minha popularidade nos Estados Unidos. O interesse americano pela psicanálise não se aprofunda. A popularização leva à aceitação superficial sem estudo sério. As pessoas apenas repetem as frases que aprendem no teatro ou na imprensa. Pensam compreender algo da psicanálise porque brincam com seu jargão! Eu prefiro a ocupação intensa com a psicanálise, tal como ocorre nos centros europeus.



S. Freud
: A América foi o primeiro país a reconhecer-me oficialmente. A Clark University concedeu-me um diploma honorário quando eu ainda era ignorado na Europa. Entretanto, a América fez poucas contribuições originais à psicanálise. Os americanos são julgadores inteligentes, raramente pensadores criativos. Os médicos nos Estados Unidos, e ocasionalmente também na Europa, procuram monopolizar para si a psicanálise. Mas seria um perigo para a psicanálise deixá-la exclusivamente nas mãos dos médicos. Pois uma formação estritamente médica é com freqüência um empecilho para o psicanalista. É sempre um empecilho, quando certas concepções científicas tradicionais ficam arraigadas no cérebro estudioso.

Freud tem que dizer a verdade a qualquer preço! Ele não pode obrigar a si mesmo a agradar a América, onde está a maioria de seus admiradores.

Apesar da sua intransigente integridade, Freud é a urbanidade em pessoa. Ele ouve pacientemente cada intervenção, não procurando jamais intimidar o entrevistador. Raro é o visitante que deixa sua presença sem algum presente, algum sinal de hospitalidade!

Havia escurecido.

Era tempo de eu tomar o trem de volta à cidade que uma vez abrigara o esplender imperial dos Habsburgos.

Acompanhado da esposa e da filha, Freud desceu os degraus que levavam do seu refúgio na montanha á rua, para me ver partir. Ele me pareceu cansado e triste, ao dar o seu adeus.

S.Freud: Não me faça parecer um pessimista, ele disse após o aperto de mão. Eu não tenho desprezo pelo mundo. Expressar desdém pelo mundo é apenas outra forma de cortejá-lo, de ganhar audiência e aplauso. Não, eu não sou um pessimista, não enquanto tiver meus filhos, minha mulher e minhas flores! Não sou infeliz – ao menos não mais infeliz que os outros.

O apito de meu trem soou na noite. O automóvel me conduzia rapidamente para a estação. Aos poucos o vulto ligeiramente curvado e a cabeça grisalha de Sigmund Freud desapareceram na distância.

PS: Vejam o filme(ainda não vi)- “Princesa Marie”- de Benoît Jacquot, que retrata as relações de Marie Bonaparte, uma das pioneiras da psicanálise na França, com Freud, seu analista. Mostra o início do movimento psicanalítico, com vários personagens que marcaram sua história, e o momento dramático da retirada de Freud de Viena, no qual Marie Bonaparte teve participação decisiva. No papel de Marie Bonaparte está a bela Catherine Deneuve.






































Le monde.

04/05/2006
Freud, o pensador das luzes sombrias, iluminou o pensamento do século 20

Após ter sida contestada, traída e desprezada, a obra de Sigmund Freud 1856-1939) não só foi reabilitada como ela se destaca hoje, também, como um pensamento ímpar sobre a condição humana

Elisabeth Roudinesco

Milhares de livros foram dedicados ao inventor da psicanálise e várias dezenas de biografias permitem hoje conhecer, nos seus menores detalhes, e muito além de toda lenda "rosa" ou "negra", a vida, os costumes e a história intelectual deste vienense paradoxal, pensador das Luzes sombrias, cuja obra - 25 volumes e uma imensa correspondência - foi traduzida em cerca de sessenta línguas.

Divulgação - Museu Freud Londres
Sofá onde Freud analisava seus pacientes visto na casa em que ele viveu em Londres

Fascinado pela morte e pelo sexo, mas preocupado em explicar de maneira racional os aspectos os mais cruéis e os mais sombrios da alma humana, Freud teve a idéia genial, em 15 de outubro de 1897, aos 41 anos, de remeter para a grande cena das dinastias trágicas da Grécia antiga o pequeno caso privado da família burguesa fim de século à qual se dedicavam na mesma época que ele todos os psicólogos especializados no estudo das neuroses.

"Cada um dos ouvintes aqui presentes", disse, "foi um dia, em germe, na imaginação, um Édipo que se apavora diante da realização do seu sonho transposto para a realidade". À figura de Édipo ele acrescentou a de Hamlet, o herói culpado, confrontado ao espectro de um pai reclamando sua vingança.

O fato de o complexo de Édipo - matar o pai e casar-se com a mãe - ter se tornado mais tarde, pela própria culpa dos psicanalistas, uma psicologia familista denunciada por numerosos filósofos nada tira da força de um gesto inaugural que consistiu em colocar o sujeito moderno frente ao seu destino: o de um subconsciente que, sem privá-lo contudo da sua liberdade de pensar, o determina à sua revelia. Uma revolução do senso íntimo, a psicanálise teve por vocação primeira de mudar o homem, mostrando que o "Eu é um outro" e que "o eu não é o senhor em sua moradia".

Freud foi tanto um pensador do irracional e da desrazão quanto um teórico da democracia apegado à idéia de que somente a civilização, isto é, a obrigação de uma lei imposta ao poderio absoluto das pulsões assassinas, permitia à sociedade escapar de uma barbárie desejada pela própria humanidade.

Em 1905, já em seus primeiros escritos sobre a sexualidade infantil, Freud foi odiado, primeiro, pelos expoentes de todas as religiões, que o acusaram de destruir os valores da moral, depois pelos adeptos dos nacionalismos, que enxergavam na sua teoria a expressão de um rebaixamento da soberania patriarcal, e, por fim, pelos representantes de todas as ditaduras, que o suspeitaram de semear a desordem nas consciências.

Vista como uma ciência "boche" (germânica no sentido pejorativo) pelos franceses; como uma ciência latina pelos nórdicos; como uma ciência degenerada pelos puritanos anglófonos, a psicanálise foi taxada de ciência judia pelos nazistas e, por fim, de ciência burguesa pelos stalinianos.

Durante a segunda metade do século 20, ela foi considerada como uma falsa ciência pelos expoentes das ciências duras, que a criticaram por ela não ser mensurável, e então, novamente, como uma ciência judia e comunista pela extrema-direita, e, por fim, como uma ciência satânica pelos islâmicos radicais. Alguém ainda duvida de que esta detestação permanente permanece o sintoma o mais poderoso da verdade subversiva da invenção freudiana?

Nascido em Freiberg-Pribor, na Moravia (hoje a República Tcheca), em 6 de maio de 1856, e batizado de Schlomo-Sigismund, Sigmund Freud era o filho de Amalia Nathanson e de Jakob Freud, e, portanto, o primogênito do terceiro casamento do seu pai, o qual exercia a profissão de negociante em lã e em têxteis. Do seu primeiro casamento, Jakob tivera dois filhos, Emmanuel e Philipp, que o jovem Freud considerava como tios ao mesmo título que os cinco irmãos do seu pai. Do casamento de Jakob e de Amalia nascerão ainda sete filhos: Julius, Anna, Debora, Maria, Adolfine, Pauline e Alexander.

Adorado pela sua jovem mãe, que o chamava de o seu "Sigi de ouro" e lhe predizia um destino brilhante, Freud foi criado numa família numerosa e recomposta dentro da qual ele ocupava um lugar de rei, reinando sobre irmãs que lhe eram todas devotadas e se sentindo tanto o filho dos seus meio-irmãos quanto o protetor do seu irmão caçula, e depois da sua mãe, quando o seu pai veio a falecer. Com isso, ninguém se espantará, conforme mostram alguns dos seus relatos clínicos, com o fato de que ele tivesse entendido melhor a rebelião dos filhos contra os pais do que a das filhas contra a sua família.

Em 1860, enquanto Emmanuel e Philipp emigravam para Manchester, Jakob, depois de vários reveses financeiros, se instalou em Viena. É nesta cidade da qual ele não gostava, mas onde ele viverá até 1938 que Freud seguiu seus estudos de medicina, apaixonando-se ao mesmo tempo pela biologia darwiniana, que servirá de modelo para todos as suas pesquisas.

A idéia segundo a qual a psicanálise não passa de um puro produto do espírito judaico vienense nada mais é que um clichê. E, contudo, é de conhecimento geral que os contragolpes da desintegração progressiva do Império austro-húngaro fizeram desta cidade, conforme sublinha Carl Schorske, um dos "mais férteis caldeirões de cultura a - histórica do nosso século".

Rejeitando as ilusões dos seus pais, que acreditavam nos benefícios do liberalismo, os filhos da burguesia se voltaram para uma nova busca de identidade. Judeus na sua maior parte, e falando várias línguas, eles sonharam, uns com a conquista de uma terra prometida, e os outros com uma possível regeneração do homem por meio do retorno aos grandes mitos dopassado: um projeto de um Estado judeu para Theodor Herzl, a desconstrução do ego para Hugo von Hoffmannsthal, a renegação ou a conversão para os intelectuais assombrados pelo ódio de si judaico, o culto de uma feminilidade transgressiva ou ainda, a "secessão" ou a inversão dos valores da arte clássica para Robert Musil, Arthur Schnitzler, Gustav Klimt ou Gustav Mahler.

Embora eles fosse alheio a esta modernidade, à qual ele preferia a arte do Renascimento ou da Antiguidade greco-latina, Freud foi marcado muito mais do que ele mesmo achava por este movimento, nem que seja na sua concepção de um subconsciente atemporal ou de um psiquismo estruturado em tópicos (o ego, o id, o superego) : "A ele deve ser atribuído todo o mérito", dizia Karl Kraus, "de ter conferido uma organização à anarquia do sonho. Mas tudo neles acontece como se estivessem ocorrendo na Áustria".

Em 1885, após ter sido nomeado "privat-dozent" (docente) de neurologia, Freud obteve uma bolsa de estudos que lhe permitiu mudar-se para Paris. Ele mal podia esperar então para conhecer o médico Jean-Martin Charcot (1825-1893), cujas experiências sobre a histeria o fascinavam. Já celebrado no mundo inteiro, o grande mestre da neurologia francesa hipnotizava as mulheres do povo, internadas no hospital da Salpêtrière. Diante de uma platéia de intelectuais, ele fazia os seus sintomas desaparecerem e depois reaparecerem - paralisias ou contraturas - demonstrando assim que elas não eram de modo algum simuladoras. Em Nancy, Hippolyte Bernheim, o rival de Charcot, utilizava a sugestão com objetivos terapêuticos.

De volta a Viena, Freud casou-se finalmente com Martha Bernays depois de um noivado de cinco anos durante o qual ele havia vivenciado uma intensa frustração sexual, a ponto de mergulhar por vezes na neurastenia. Desta união nascerão seis filhos: Mathilde, Martin, Oliver, Ernst, Sofie e Anna.

No seu apartamento do 19 Berggasse, incentivado pelo seu amigo Josef Breuer (1842-1925, fisiologista e psiquiatra austríaco), ele começou a tratar jovens garotas e mulheres da burguesia acometidas de distúrbios histéricos

Buscando curá-las, ele utilizou os métodos aceitos naquela época:
hidroterapia, massagens, eletroterapia. Mas, após ter logo constatado sua total ineficiência, ele praticou primeiro a hipnose e a sugestão, e mais tarde a catarse. Foi a partir destas práticas que nasceu o termo de psico-análise, que foi empregado pela primeira vez em 1896 para designar uma cura pela palavra e por meio da exploração do subconsciente sem intervenção corporal nem sugestiva.

A publicação por Breuer e Freud, em 1895, dos "Estudos sobre a histeria" foi um evento. Neste trabalho, os autores apresentavam oito casos de mulheres, entre os quais o de Bertha Pappenheim (Anna O.), afirmando que todas elas haviam sido curadas da sua neurose. Hoje sabemos que tal afirmação não era exata. Mas a grandeza deste livro residia na utilização pelos autores de um estilo romanesco, despido de todo jargão técnico, e que conferia uma dignidade a mulheres anônimas descritas como as heroínas de uma aventura inovadora da psique humana.

Entre 1887 e 1902, Freud tornou-se amigo de Wilhelm Fliess (1858-1928), um médico berlinense adepto de teorias extravagantes. Ao longo das páginas desta correspondência que, por muito tempo, permaneceu expurgada, descobrimos de que maneira ele se interessou à bissexualidade; como ele nunca parou de duvidar dele mesmo; como ele delirou com a cocaína sem, contudo, renunciar ao seu tabagismo; e como, após ter suspeitado seu pai de ser um pervertido sexual que chegou a abusar dos seus filhos, ele abandonou sua teoria chamada de teoria da sedução real para adotar aquela da fantasia.

No decorrer desta experiência íntima, que acabou resultando numa ruptura violenta, Freud elaborou uma teoria original do sonho, da sexualidade, do recalque e do desejo. A partir de 1900, ele publicou todos os livros que fizeram dele um clínico fora do comum e o fundador de uma nova disciplina: "A Interpretação dos sonhos" (1900), "Psicopatologia da vida cotidiana" (1901), "Três Ensaios sobre a teoria sexual" (1905), "Os Chistes e a sua relação com o subconsciente" (1905), "Totem e tabu" (1912).

Em 1909, convidado para pronunciar cinco conferências na Clark University de Worcester, na Costa leste dos Estados Unidos, Freud obteve um sucesso triunfal falando sem notas, em alemão, e então dialogando em inglês com a platéia. Contudo, ele conservou desta experiência um preconceito desfavorável para com este país pragmático que havia recebido seus ensinamentos com uma ingenuidade desconcertante.

Preocupado em universalizar sua doutrina e acreditando poder protegê-la contra supostos desvios, ele fundou uma internacional, reunindo em volta dele um grande número de discípulos europeus: Sandor Ferenczi (Budapeste), Karl Abraham (Berlim), Ernest Jones (Londres), Carl Gustav Jung (Zurique), Raymond de Saussure (Genebra), Marie Bonaparte (Paris), Lou Andreas-Salomé (Göttingen). Após ter sido analisada pelo pai, a sua filha Anna tornou-se a sua mais fiel herdeira.

Longe de evitar as dissidências, esta iniciativa as favoreceu, e se a psicanálise conseguiu se implantar em todo o mundo ocidental, o preço a ser pago por isso foram inúmeros conflitos e excomunhões que mostraram que a cura pela palavra nunca conseguiu ajudar os psicanalistas a se entenderem entre eles e a dissipar suas querelas.

Depois da Primeira Guerra mundial e do desmoronamento do Império austro-húngaro, Viena deixou de ser a capital do freudismo, isso no mesmo momento em que médicos americanos se rendiam em peso a esta prática e procuravam se formar no divã do mestre. Foi naquela época que ele decidiu remanejar sua primeira teoria do subconsciente, postulando a existência de uma pulsão de morte própria da humanidade em si ("Além do princípio de prazer").

Esta revisão, que o conduziu a redigir suas mais belas obras de teórico da cultura ("O Futuro de uma ilusão", "O Mal-estar na civilização"), produziu-se no mesmo momento em que a sociedade vienense, já assombrada pela sua própria agonia, estava confrontada à negação radical da sua identidade, uma vez que ela não passava mais, segundo a frase de Stefan Zweig, de uma "centelha crepuscular" no mapa da Europa.

Em 1923, Freud descobriu do lado direito do seu paladar um pequeno tumor maligno. Seis meses mais tarde, ele foi amputado de uma parte do maxilar. Durante 16 anos, ele se submeterá a cerca de trinta operações mutiladoras. Infiel ao judaísmo, hostil a todos os ritos de vinculação à sua religião e/ou cultura, ele permaneceu, contudo, fiel à sua judeidade. Ele se considerava como um judeu ateu, universalista e de cultura alemã.

Em 1930, ele se pronunciou contra a criação de um Estado judeu na Palestina, sublinhando com lucidez que a questão dos Lugares santos estaria um dia no centro de uma querela insolúvel entre os três monoteísmos. A partir de 1933, ele assistiu, desesperado, ao exílio forçado rumo ao mundo anglófono de todos os seus discípulos da velha Europa continental, expulsos pelo nazismo.

Obrigado a deixar Viena depois do Anschluss (anexação da Áustria pela Alemanha nazista em 1938), ele se instalou em Londres com a sua família, numa bela mansão, cercado pelos seus livros e as suas coleções de antiguidades. Foi lá que ele redigiu seu derradeiro trabalho, "O Homem Moises e a religião monoteísta", no qual ele afirmava que o ódio para com os judeus era alimentado pela sua crença na superioridade do povo eleito e pela angústia de castração que suscitava a circuncisão como signo da eleição.

Freud morreu em 23 de setembro de 1939, após ter pedido ao seu médico, Max Schur, para abreviar seus sofrimentos. Ele nunca soube do destino que seria reservado pelos nazistas às suas quatro irmãs, que desapareceram em meio às trevas da solução final.



Vídeo













Aqui tem um vídeo onde Contardo Calligaris fala de Freud , aparece o Freud num filminho, pena que pulam logo para a psiquiatria, atualmente tudo acaba em psiquiatria. Coloquei outros textos que copiei da Folha ai embaixo, quem tiver interesse lê.

segunda-feira, abril 03, 2006

Um espetáculo maravilhoso e surpreendente.



















Ontem fui assistir ao espetáculo da Academia Olímpia aqui de Natal, foi um espetáculo maravilhoso, fiquei muito emocionada.
O Projeto Olímpia, no qual estou me engajando, é realizado nesta academia. Eles têm mais de 80 alunos, destes, 40 por ai, são financiados pelo Projeto social que é do Instituto Marie Jost e da empresa Camanor- cultivo de camarão.
Bom, eu quase vou às lágrimas, sou muito sensível a este tipo de trabalho, ver crianças pobres fazendo ginástica olímpica com afinco, dando o melhor delas, é comovente. Havia desde crianças muito pequenas, mais ou menos 5 anos, até jovens adolescentes, ver 80 meninos, meninas, jovens, se esforçando para mostrar como são capazes de ser melhores, é comovente. Foi muito bom, muito bem feito, a música era ótima, o espetáculo foi amarrado de tal forma que não ficávamos nem um minuto esperando a próxima atração, enquanto uns acabavam de se apresentar, outros entravam ou já estava pendurados naqueles panos que vêm do teto. Ótimo. O que mais gostei foi ver que as coisas podem dar certo, foi tudo bem, é lógico que houve falhas, mas faz parte. A equipe é de professores de ginástica olímpica, é a única academia aqui na cidade. Foi um espetáculo circense, houve números de palhaços, muito bom ver palhaços ginastas, fazem coisas incríveis :) Deve ser inspirado no Cirque du Soleil, que seja, foi ótimo. Imaginem crianças em Natal sonhando com o Cirque du Soleil, é fantástico! Pena que a luz da academia não criou clima de magia, a magia veio das próprias crianças e jovens, pensando bem... melhor ainda, não é?
Morri de pena porque meus filhos não foram, poderia ter levado minha sobrinha também, não pensei que fosse tão bom, os meninos estavam com amigos aqui jogando RPG, sabem como são adolescentes, tirá-los do grupo é difícil, aposto como se estivessem sós comigo teriam ido, mas não foram. na próxima vez eu faço irem, estarei já trabalhando no projeto, farei a cabeça deles. Dan, meu filho de 15 anos tem uma flexibilidade impressionante, parece de borracha, fez uma vez um mês de yoga comigo numa academia e era de pararem para vê-lo, Sabem que não quer fazer ginástica olímpica? diz que é coisa de gay, pode? ai meu deus... devem ser os meninos que dizem por ai, porque aqui ele nunca ouviu isto, eu tentei fazê-lo gostar de balé, de leve... dizia seria tão lindo você dançando, imaginem se iria fazer... Há muito preconceito mesmo, que triste! Eu amo Balé. Quando era menina minha mãe assistia em Curitiba espetáculos de dança e me levava, eu ficava no colo para ver, lembro até hoje, era um mundo mágico e maravilhoso, é comovente ver as pessoas se superando.
Quando vejo gente assim, gente que trabalha como esta equipe do Projeto e da Academia Olímpica eu penso que o Brasil pode dar certo, que nem tudo está perdido. Este projeto tem pouca verba, além da Camanor, tem mais algum patrocínio, mas não há grana, a Camanor quer que o projeto se auto financie, estão buscando financiamento. É de doer ver estes políticos nojentos no poder jogando nosso dinheiro fora ou colocando no próprio bolso e ver estas crianças pobres se esforçando para serem alguém num mundo de adversidades, muitas vezes dramáticas.
Estas crianças vão duas vezes por semana à academia, ali têm aulas de reforço escolar e de ginástica, tem um dentista e um advogado também. Há uma condução para buscá-las no bairro onde moram, na periferia daqui, outras são de Ponta Negra, que anda na mídia nacional-TV Globo tem mostrado- por causa da prostituição. Aposto como nenhum daqueles jovens ali será seduzido pela prostituição, aprenderam a ter dignidade, a respeitarem e serem respeitados. Roberto, o professor responsável disse o quanto é difícil fazer com que tenham disciplina, entrem no ritmo, a gente pode imaginar, são crianças que vivem soltas no mundo. Mas nem tudo está perdido.
Bravo! Um viva ao Projeto Olímpia!








sexta-feira, março 31, 2006

Prevenção ao câncer de mama.
















Lembre-se de SEMPRE fazer o auto-exame das mamas.
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segunda-feira, outubro 24, 2005

O adolescente e o computador.












"Pais temem que Internet possa interferir no desenvolvimento dos filhos"

Leiam aqui e comentem.


Anônimo disse
:

vivemos numa revolução informacional na qual perdemos o controle da razão sobrepujada pela dominação de uma carga de cobranças da era moderna adolescente.Quem ñ se sentiu impotente por não conseguir manter um "nâo"? Já disse vários "nâos", mas não os mantive. Existe uma gama de contra-argumentos dispostos a detonar nossos limites de tolerância e ceder é uma alternativa óbvia. E é bom q se desconfie do óbvio. O óbvio é muito fácil...sem ser simples,-ao contrário-.Envereda-se por um caminho largo, livre de culpas...só q os danos são por demais nocivos. Na verdade, qdo digo "livre de culpas" é uma liberdade prazerosa provisória cuja ressaca moral não é curada no "the day after". Agrava-se. Ressalve -se, portanto sua postura de bom pai(mãe) e pulso firme!
Adolescente não ouve o q não quer. Não se vc ceder fácil- o q geralmente fazemos em nome das nossas culpas. Sempre culpas. Q tal nos culparmos menos e agirmos mais sem achar q não é pedagogicamente correto? Vamos ser mais bóias frias? cabras da peste? "passar vista de olho"? Nossos filhos nos vêem como bôbos. E é o q somos. Tolos grandes medíocres acreditando estar fazendo o melhor.

8:34 PM
Elianne disse:

Olá, obrigada pelo comentário tão interessante.
É verdade que muitos pais são tidos como bobos, não têm firmeza com os filhos, temos que ter pulso forte e isto cansa, mais cômodo é ceder, mas as conseqüências virão, mais cedo ou mais tarde.
É preciso entender o por quê das culpas, há razão para tanta culpa? fazemos o que nos é possível, cometemos erros, é humano, pais não são super homens, nem mães mulheres maravilhas, é importante os filhos lidarem com esta realidade. Muitos pais respondem afirmativamente todas as demandas dos filhos, uma hora não será mais possível e vêm os problemas.

11:16 AM

quinta-feira, outubro 20, 2005

O adolescente e a leitura.



















Recebi esta pergunta de Ana, gostaria que vocês falassem primeiro depois eu fecho com algo, acrescento.
Ana:
"Tenho um filho de 13 anos, está na sétima série, a professora de português mandou ler " A mão e a luva" de Machado de Assis, ele não consegue ler. Reclama do vocabulário, diz que é tudo diferente. Não sei o que faço, já falei coma Escola, querem estudar a grafia da época, século IXX. Fico me sentindo mal por não ter lido mais para ele quando pequeno, eu criava historinhas, mas estava sempre cansada, trabalhava até de noite, não conseguia nem ler para ele. Agora quer ler só ´História em Quadrinhos. O que a Sra acha?"

Viva disse:
Tem livros que são difíceis mesmo. Até pra quem é acostumado a ler. Claro que o hábito desde pequeno ajuda, mas nunca é tarde pra começar a incentivar. E disciplina também é importante, se o garoto fizer um esforço pra ler este, os próximos livros, mais atuais, parecerão bem mais interessantes. Pelo menos foi assim comigo...

BethS disse...
Leitura é habito.
Se as pessoas da casa gostam de ler, a criança fatalmente gostará de ler. Nunca é tarde pra ler e incentivar a ler.
Acho que algumas escolas não escolhem bem os livros. A Mão e a Luva, mesmo sendo Machado de Assis, é uma linguagem cansativa pra uma criança que não tem o hábito de ler, não é? essa geração está acostumada com a linguagem cortada dos video clips, da MTV e dos quadrinhos. Não vão ter paciencia de pegar um Machado de Assis assim de cara.
A professora poderia ajudar, não tem como você falar na escola? Existem livros de otimos autores pra crianças e adolescentes, livros ilustrados, escritos com letras grandes e texto convidativo. Pras crianças que não tem o habito de ler, é uma mão na roda...
Ah, historias em quadrinhos tambem podem ser muito legais! Eu sou avó, mas não deixo de comprar os meus gibis, viu?


Elianne disse:
Muito bom o comentário de vocês.
Também acho que se conseguir ler este fica tudo mais fácil, mas será que consegue ler?
Acredito que se a leitura é difícil mais difícil ficará se aproximar do livro. Como Beth diz há livros atuais mais sedutores para a garotada, com figuras, por que não? por que tem que ser um livro do século IXX para meninos de 13 anos? Acredito que mais maduros lerão com interesse, mas agora não vejo como um adolescente que passa horas no computador vai se interessar por um romance que se passa naquela época. O adolescente vive o imediatismo, não consegue projetar para o futuro, não entendem, mesmo, porque precisam fazer algo ou estudar para o futuro.
As nossas escolas estão muito atrasadas, difícil fazê-los interessar-se por algo, os professores ganham mal, perdem o interesse, precisam estudar, vivem cansados, dão aulas em várias escolas, muitos não conseguem ser respeitados pelos alunos. Professores precisam se impor precisam ocupar o seu lugar de mestre.
Machado de Assis tem contos mais fáceis, engraçados, acho um equívoco da Escola obrigá-los a ler agora um romance como este.
Há mais coisas para serem ditas, vamos conversando aqui. O. K.?
Obrigada a Viva e Beth pelos comentários.

Tânia disse...

Ana,
Entendo sua dificuldade. Temos referências literárias maravilhosas que não significam muito pros nossos filhos até pela linguagem facilitada e padronizada pela "era" dos "ORKUTS" e etcs.(permissivas por nós!),que nos faz crer que sejamos coniventes com o despropósito anti-padrão só pra nos sentirmos "atualizados" nos desmandos e falta de limites de uma nova geração.
Vão existir novas e novas geraçãoes, mesmo assim, as referências(e conceitos! -mesmo revistos!), não podem e não devem ser despersonalizados simploriamente como uma "plugarização" de um mundo sempre "antenado" em atender a uma demanda de inversão de valores.
É preciso ter cuidado.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Bater numa criança. "Projeto palmada"













Esta semana o Prioridade Absoluta da ONG Cia Terramar fala do projeto de lei que proibe castigos físicos em crianças e adolescentes. Pediram alguma coisa sobre o assunto, mandei um pequeno texto, está mais abaixo.


Prioridade Absoluta.
A pauta dos direitos da infância e da adolescência

Rio Grande do Norte - Edição N° 96 - 17/10 à 24/10



Castigo físico contra crianças será considerado ilegal segundo projeto de lei


Castigo físico contra crianças será considerado ilegal segundo projeto de lei

Integrantes da frente parlamentar pela Infância querem que a proposta seja aprovada ainda este mês


O "Projeto Palmada", lei n° 2654/03, é uma iniciativa que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Código Civil garantindo que a criança e o adolescente não sejam submetidos a qualquer forma de violência física. A adoção de castigos, mesmo alegando quaisquer motivos, ainda que pedagógicos, implica necessariamente em dor física. Por causa disto, o texto da lei estabelece que quem pratica algum tipo de castigo físico contra crianças, seja pai, mãe ou professor fica sujeito á medidas educativas.

Qualquer forma de bater em criança e adolescente é punição corporal, e isso é violência. Por isso, os defensores argumentam que a palmada não condiz com a essência de respeito que a criança e o adolescente merece. Com este projeto, espera-se desvincular a consciência social de que a palmada serve como forma de disciplina.

Para a Psicóloga Elianne Abreu bater numa criança, mesmo que seja palmada será sempre um ato autoritário de alguém que está perdendo a autoridade. "Ao bater se cria um elo perverso entre quem bate e quem apanha há um certo prazer nisso o que acabará levando a problemas no futuro", o Conselho Tutelar da Zona Leste não costuma receber muitos casos de espancamento, segundo o conselheiro Cristiano Loia de Melo os casos de espancamento vão direto a delegacia especializada para dar queixa "É muito importante dosar limites entre uma palmada e uma agressão física".

Atualmente, aguarda-se a apresentação do relatório do projeto de lei pela deputada Tête Bezerra (PMDB-MT) para em seguida ser encaminhada a Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR). A frente parlamentar pela Infância quer que a proposta seja aprovada até outubro.

Equipe da Companhia TerrAmar/

Rede ANDI:
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Bater numa criança, mesmo que seja uma palmada será sempre um ato autoritário de alguém que está perdendo a autoridade.

Algumas pessoas pensam que batendo estão educando, não, batendo estão subjugando o mais fraco, criando um ser hostil, que mais tarde irá bater também. Uma criança precisa ser ouvida, respeitada, e ela só aprenderá a respeitar se for respeitada. Converse, olhe nos olhos, sente com ela sozinha, exponha sua opinião. Não subjugue nem subestime uma criança ou um adolescente. Ao bater se cria um elo perverso entre quem bate e quem apanha, há um certo prazer nisto o que acabará levando a problemas mais sérios no futuro. Algumas vezes crianças que apanham provocam os pais para apanhar mais, isto já se torna um gesto estranho. “Quer apanhar mais?”: diz o pai, ele quer, ele tem prazer em apanhar neste caso. Quantas vezes o pai ou a mãe só se aproxima ou vê o filho na hora que bate?

Há também a violência verbal que muitas vezes faz tanto mal quanto a física, ameaças, chantagens, frases ditas que jamais serão esquecidas. Muitas vezes uma língua ferina machuca tanto quanto um tapa ou uma correia até mais.

Algumas crianças ou adolescentes que apanham tornam-se adultos bastante comprometidos psicologicamente.

Conversar, não na hora da raiva, conversar com calma é o melhor sempre. Tanto pais quanto educadores.

terça-feira, outubro 11, 2005

Fantasias sexuais. E agora?





















Recebi esta questão :

"FANTASIAS - UM NOVO TEMA ?

Ao final de algum tempo (podem ser anos, não importa), elas acabam surgindo. E em uma certa noite, um dos dois, ainda que tímidamente, solta a pontinha de uma delas... e o outro aceita, incentiva, provoca.

Por que surgem? Qual seu impacto (positivo ou negativo, no "todo" de um relacionamento)? Até onde devem seguir com e em "segurança"? Qual o momento em que devem ser interrompidas ou que seria aconselhável tentar a sua realização? Isto acontece com TODOS os casais? Com a maioria? Apenas com alguns mais liberais e menos preconceituosos, mais "calientes" ou apenas com os mais ou menos "cabeça"?

São elas um sinal que a rotina finalmente penetrou na relação? Serão motivadas pelo surgimento de desejos reais pelo convívio ou atração por terceiras pessoas? Ou serão um recurso do inconsciente na tentativa de "incrementar" ou "salvar" a relação?"

Esta questão não é simples. Este é um ponto delicado e talvez não seja fácil escrever a respeito e ser entendida.

Acredito que a fantasia faz parte da nossa vida sexual, nosso imaginário é repleto de fantasias, conscientes ou não. Vêm de nossas memórias mais arcaicas. Na cama somos muitos, além do casal, as figuras parentais estariam presentes no nosso imaginário.

Num encontro amoroso, seja homoerótico ou hetero, eu acredito que é um encontro acima de tudo sensorial. É preciso olhar, cheirar, tocar, beijar o outro, aquele que está ali, não o outro que está na imaginação, é preciso sentir prazer em ser tocada, beijada por esta pessoa, gostar de tocá-la, beijá-la...sentir prazer, desejar que o outro tenha prazer, e nesta entrega, encontrar o caminho do gozo.

Muitos não sabem tocar no outro, e se entregam ao sexo apressadamente. Mas, se acontecer de alguma fantasia te perseguir, tudo bem, mas que não vire um exercício constante, seria um buraco sem fundo.

Um casal que fantasia com o casal vizinho, por exemplo- este pode ser um jogo amoroso deles- mas se um dia vierem a realizar a fantasia numa relação, será que se sentirão bem quando encontrá-los no elevador no dia seguinte?

Ai está a complicação, fantasiar é uma coisa, levar às vias de fato é outra bem diferente. Mas se este casal só consegue fazer "amor", sexo, imaginando outras figuras entre eles, não sei se não seria a hora de repensar esta relação, afinal as relações amorosas não duram para sempre, sabemos disso.

Há outro tipo de fantasia que é de jogos eróticos entre o casal, fetiches de todo tipo, se não há impedimento de uma das partes, acredito que cada casal deve decidir, um jogo entre quatro paredes que não lesa ninguém, entra quem quer, não é?

Há um livro “O orgasmo múltiplo do homem” da Ed. Objetiva, é muito bom, ele traz este assunto até esgotar, é escrito por médicos e um excelente manual sobre o sexo. Ele fala de orgasmos múltiplos, você não precisa ler em busca de sexo tântrico, apenas como um bom livro sobre sexo.

Tenho certeza que se você se concentrar no sexo, no que está sentindo, descobrir em você o que te dá prazer, não terá problemas com o parceiro. Lembre-se que sexo, mesmo a dois, é narcísico- se você não sente prazer, dificilmente ficará bem com o outro. Algumas vezes é indicado pedir ajuda profissional, entender o porquê de sua dificuldade em sentir prazer.

Eu não vou esgotar estas questões aqui, mas quero deixar este canal aberto para que possamos trocar idéias.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Uma mulher extraordinária.











Ao criar este espaço imaginei que apareceriam muitos pais aflitos, é o que mais se ouve por ai, que não dão conta dos filhos, etc e tal, como eu gosto de falar de relacionamentos trouxe o tema, ai recebo o e-mail de T. aflita com o namoro da filha.
Minha resposta a questão dela trouxe a tona o sofrimento desta mulher corajosa e forte, leiam:
"Drª, agradeço a atenção e o carinho.
Sobre mim: 39 anos - divorciada há 7.
Nasci numa família pobre (7 irmãos - 5 mulheres) e apesar de entender as dificuldades, não compreendia a "ausência" de meus pais. Aprendi com a vida e com a pouca convivência com minhas irmãs.
Assim foi até os 13 anos. Criei meu mundo (romântico, sensível, e sozinha)- e vivi os piores momentos da minha vida qdo fui seduzida e violentada por um "amigo" da família (homem feito, maduro).
Engravidei...não tive coragem de contar a meus pais, aliás, a ninguém! Morria de vergonha e medo.
Fui embora de casa e sumi por 2 anos. Abortei com a ajuda de "amigos". Não me arrependi!
Quis morrer ou pelo menos chamar a atenção do mundo. Queria q soubessem q eu existia, q sofria...mas ninguém me via...
Trabalhei, estudei(sou Pedagoga),e aos 21 anos me casei com um homem maravilhoso -médico, bem de vida, e q me amava e eu o amava. Parecia conto de fadas! Veio o 1º filho, o 2º (a menina), os ciúmes e as agressões. Vivi pânico!
Lamentavelmente meus filhos foram vítimas dessa violência, pois presenciavam tudo. Não havia mais respeito, amor...nada. Vivi por 10 anos até ter coragem pra denunciá-lo à justiça. Não deu em nada! Só um divórcio conflituoso.
Há 3 anos veio o câncer.Químio, rádio, careca, astênica, anoréxica (e um catéter horroroso acima do peito). Já não era mais aquela linda mulher. Eu era um zumbi, algo pavoroso diante do espelho.Mas sabe de uma coisa? Eu não tinha medo do câncer, eu tinha vergonha por tê-lo.
O que mais me dói é que ainda acho q no mundo existam pessoas boas e assim vou insistindo em procurar. Poderia ser pior, não é? Poderia pensar de forma contrária...
Quanto à minha filha, por mais que eu tente ser amiga - amiga mesmo, sem reservas-, ela se afasta de mim. Nós nos amamos mas estamos bem distantes uma da outra...
O namorado dela? Gosto, confio...aí também reside meus medos, meus anseios..."

O relato de T. nos comove, vem de uma família grande e onde não havia amor o bastante para os filhos, foi violentada, vitima do meio onde cresceu. Fugiu, lutou e sobreviveu.
T. você é uma mulher extraordinária, acredite. Uma menina que passou por tudo que você passou conseguir estudar, vender a pobreza e o medo, é fantástico. Depois veio o casamento, o príncipe que virou sapo, o câncer e você está ai, firme, sobrevivente da dor e da doença.
Sua preocupação com a filha é sinal de cuidado, mas como dizem Beth e Luci, sua filha provavelmente terá um caminho mais fácil porque você soube amá-la. Interessante que fez pedagogia, queria saber mais sobre educação, mesmo inconsciente queria ser uma mãe melhor para seus filhos que sua mãe foi. E você conseguiu, creia.
É um exemplo para todas nós.
Comentários anteriores a esta resposta minha:

BethS disse:
Oh Tania, também fiquei comovida com a sua historia, e se você me permite gostaria de lhe dizer alguma coisinha.
Você é forte e lutadora, superou tudo isso que você escreve - agora ficou tudo pra tras.O cancer é como se tivesse sido a limpeza dos traumas - sossegue, passou, querida.
Seus filhos estão crescidos, voce com certeza foi uma boa mãe. Nossos meninos crescem rápido e chega um momento que precisam tomar as redeas da vida deles. A menina é novinha, mas tb tem a cabeça boa, assim penso.
Eu, se fosse você, relaxava, tudo vai dar certo. Agora é hora de vc se cuidar, fazer coisas alegres e prazeirosas, ser feliz.
Minha avo me ensinou uma coisa, que foi muito importante pra mim - e que passo pra você: na vida da gente é melhor sofrer por amor do que por nunca ter amado.
Beijo grande.
Desculpa se fui "invasiva".

T. disse:
Drª,
Apesar de uma neutropenia persistente e uma retração muscular causada pela radio, estou bem. Continuo sendo assistida por uma equipe médica competente e o prognóstico não é tão ruim.

Acredito q nossos erros e dificuldades só nos transformam em pessoas melhores do q somos. E o q mais quero é "errar menos"...
Não sei se soube amar minha filha como ela precisava. Eu a amo tanto q não mensurei esse amor. Talvez devesse...seria mais responsável...
Vou procurar o melhor caminho...rever conceitos subjacentes... enfim, ir ao encontro dela.

Tânia disse:
Beths,
Suas palavras só me confortaram. Obrigada!
É bom sabermos q existe alguém (ñ importa aonde) q seja solidário, compartilhe nossos sentimentos e nos dê atenção.
Sua avó é muito sábia! Amei sim e fui muito feliz. Ainda sou. Tenho 2 filhos lindos e saudáveis cuja esperança de um dia melhor se renova a cada sorriso deles.
Sou mulher e como tal também quero amar e ser amada novamente.
Não desisti...não desisto.
Beijos,
9:34 AM

Luci disse:
Tânia! Sua história comove, não pelo câncer, mas pela sua força em lutar e tentar, de alguma forma, minimizar os sofrimentos que os filhos possam vir a ter.
Só que a meu ver, não se pode evitar o sofrimento de ninguém, não está em nossas mãos. Os filhos não nos pertencem, são do mundo, do destino.
Entendo a sua preocupação, mas lembre-se de que a sua vida não é a deles e que o destino deles pode ser bem diferente, pois eles têm o seu amor, que pode fazer (e faz, tenho certeza) toda a diferença!
E não desista mesmo!
Estamos aqui para lembrá-la disto!
beijos!
8:05 PM

domingo, outubro 09, 2005

Prostituta aos 83 anos

Dona Josefa conta como se mantém como prostituta aos 83 anos

*Bruno Barreto
*Da Redação

"O Mossoroense"

Uma das notícias que mais chamaram a atenção esta semana na área
policial foi a morte do aposentado João Agostinho de Santana, 70, que
veio a óbito durante ato sexual com a aposentada e prostituta Josefa
Paula da Silva, 83.

O fato despertou a curiosidade de centenas de pessoas que ficaram
interessados em saber como uma mulher dessa idade pode se manter por
tanto tempo em uma profissão na qual a forma física é considerada
importante.

Aposentada como autônoma, dona Josefa falou que o dinheiro ganho na
prostituição é usado para complementar o benefício. "Com a aposentadoria
que a gente ganha fica complicado sobreviver, aí faço os programas para
completar a minha renda, cobro uns dez reais para meus clientes", relatou.

Dona Josefa conta que se mantém nessa função há 60 anos e que nunca se
casou: "Tive três filhos e com 23 anos de idade entrei na vida para
fugir do pai deles e me mantive porque gosto, dá prazer, ganho dinheiro
e por isso nunca quis casar", explica.

A experiente prostituta conta como chegou em Mossoró há 40 anos, oriunda
de Santarém (PA). "Desembarquei primeiro em Fortaleza com uma amiga, aí
ela me falou que em Mossoró era muito bom, então decidi vir, gostei, fui
ficando e estou aqui até hoje", lembrou.

Chegando em Mossoró, ela conta que conheceu logo o Alto do Louvor, que
naquela época vivia o auge como área de prostituição. "Eu e minha amiga
descobrimos logo o Copacabana (considerada a maior casa de prostituição
de Mossoró na época) e fomos para lá onde vários políticos e pessoas
conhecidas da sociedade freqüentavam", disse.

Hoje o local é um ambiente decadente, mas dona Josefa ainda mantém a sua
clientela fiel e garante que até jovens vêm à sua casa procurá-la. "A
maior parte é gente velha, mas tem muito garotão aparecendo por aqui, aí
eu pergunto: com tanta moça nova por aí, o que vocês querem com uma
velha? Aí eles respondem que é porque são as velhas que fazem melhor",
relata aos risos.

*Entrevista/dona Josefa*

OM - Como a senhora se mantém nesse ramo há tanto tempo?

DJ - Olha, estou nisso há tanto tempo primeiro porque gosto; segundo,
porque ainda sinto prazer em fazer sexo e para isso não tem idade.

OM - A senhora trabalhou nesse ramo em uma época em que a Aids não era
temida e em outra em que a doença virou motivo de preocupação, como é
lidar com isso?

DJ - Isso é conversa do povo, se você se prevenir não vai pegar doença
nenhuma, tudo depende do cuidado.

OM - Com 83 anos como a senhora consegue ainda cativar seus clientes?

DJ - Nem sei explicar porque esse pessoal ainda me procura, mas uma
coisa eu garanto: não vou atrás, não faço ponto em esquina, fico em casa
e eles vêm atrás de mim. Quase todos são velhos vindo atrás de diversão,
e eu proporciono isso a eles.

OM - Sobre o caso do senhor que morreu na cama com a senhora, como ficou
a sua cabeça?

DJ - Nem dormi direito essa noite, porque fiquei meio assustada com tudo
que aconteceu, pensei que nem fosse mais conseguir fazer, mas depois que
me levantei tenho certeza de que só deixo essa vida quando morrer.

quarta-feira, outubro 05, 2005

O namoro dos filhos adolescentes I

Recebi esta questão que acredito ser bastante comum entre nós.

Leiam:

"A gente pensa que está preparada pra tudo quando se depara com uma situação aparentemente fácil e simples de se lidar.
Tenho 2 filhos (17 e 15)- casal.
Nunca tive dificuldade em falar sobre sexo com êles, sempre abordando temas atuais e relevantes pra formação de ambos:DST's, gravidez, etc. Só que eu sempre via essa realidade muito distante, e agora, diante dessa realidade palpável, sinto-me perdida e apreensiva - até mesmo impotente!
Minha filha (15 anos) namora um rapaz de 19 e como todos(ou pelo menos quase todos adolescentes), pensa que já sabe tudo. Não Tenho mêdo de alguma possível desilusão dela, o que me angustia é a incapacidade (ou nâo!- tomara!!!) dela em lidar com tais sentimentos e que isso lhe cause conseqüencias desastrosas...
Difícil até escrever...
...imagine viver isso...
(alguma luz?)
T."

Eu gostaria de saber mais de T. Como é sua vida? Vive com marido e filhos? Está separada? Gosto de conhecer o ambiente onde as pessoas vivem antes de dizer algo, saber como vive, até onde este contexto influi no que possa estar sentindo.

Toda vez que surgem conflitos com adolescentes, ou causados por eles, penso no quanto a adolescência é instigante, desafiadora e difícil. É o momento mais rico de nossa existência, idealista, inovador. O adolescente vive em busca de sonhos e desafios, muitas vezes fica difícil viver perto deles por isto.

Como foi a sua adolescência? Você foi um adolescente desafiador? Ou foi quieto, tímido ou mesmo depressivo?

Como era a relação com seus pais? Era tranqüila ou foi difícil. Você tinha medo de seus pais? Respeitava-os ou temia? Podia dizer o que pensava, dialogar? Havia diálogo?

São muitas as perguntas, todas estas questões são importantes quando estamos diante de um adolescente.

Como foi sua iniciação sexual? Com quem foi?
Foi boa, tranquila ou foi traumática? Sentiu prazer com o sexo desde o início ou foi muito difícil sentir prazer? Você sentia-se pronta/o para começar uma vida sexual? Foi casual? Foi com um namorado/a?

Ficaria aqui horas fazendo perguntas. Somos todos complexos, estas perguntas vão nos ajudando a nos descobrir e entender o porquê das nossas inseguranças e angústias.

Voltando ao caso de T. fico pensando que medos a afligem: medo de que a filha venha a sofrer? Será que T. sofreu muito nesta fase? Será que teme que a filha repita “erros” que tenha cometido? Por que tem tanto medo? O namorado da filha não lhe passa segurança?
Acredito que a maioria das mães sentem medo nesta fase, as mães dos meninos, também.
Objetivamente, acho que TEM que levar a filha a um médico/a ginecologista, é o melhor caminho. Se ela quiser ir só, tudo bem, mas ela tem apenas quinze anos, você é responsável por ela, se ela não aceitar sua sugestão, diga-lhe isto e faça com que vá. Ali terá as informações seguras, talvez não se sinta à vontade com a mãe, é natural, não se sinta excluída, isto é natural no adolescente, ele/a precisa se distanciar dos pais, tem vergonha da sexualidade diante dos pais, é normal, os pais também, muitas vezes não aceitam a sexualidade dos filhos, ficam assustados, de repente seu filhinho/a ficou homem/mulher. É tudo tão rápido...

T. diz:
“Não Tenho medo de alguma possível desilusão dela, o que me angustia é a incapacidade (ou não! - tomara!!!) dela em lidar com tais sentimentos e que isso lhe cause conseqüências desastrosas...”
O que teme aqui? Quais seriam as conseqüências desastrosas? Você sofreu muito? Tem medo de que ela também venha a sofrer?
Imagino pela sua aflição que está acuada e impotente, diz isto. Converse com sua filha, mesmo que ela se recuse a conversar deixe espaço para isto, diga algo, diga que está preocupada com ela, que quer vê-la bem, se ela não quiser papo pelo menos vai te ouvir. Amor nunca é demais, ela pode te ignorar no momento, mas em algum momento vai sentir que poderá contar com você.
E boa sorte!

Agora é com vocês, nunca dou a última palavra, escrevi agora, sem deixar o texto amadurecer, pode conter erros, digam. Quero que aqui haja espaço para trocas, para que falem de suas experiências. As mães que já passaram por isto podem contar como foi.
Com a palavra vocês, leitores, e amigos blogueiros.