sábado, julho 13, 2013
quinta-feira, julho 04, 2013
Freud e nossa atitude diante da morte

“Nossa atitude insincera perante à morte torna a vida insípida e vazia”: Freud e nossa atitude diante da morte
“O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela”.O que acontece com uma morte que não se vê ou não se toma por real é uma vida que não se vive. Nas palavras do próprio Freud: “Resta então apenas procurar no mundo da ficção, na literatura, no teatro, a compensação do que na vida minguou“. Será que não é isso que buscamos na farta cultura ocidental de entretenimento e diversão onde tantos se aventuram, arriscam, matam, morrem, perdem tudo, ganham tudo, se transformam, etc? “No campo da ficção, deparamos com a pluralidade de vidas de que necessitamos“, continua Freud. “Aí encontramos homens que sabem morrer, mais ainda, que conseguem também matar os outros”.
~ Fernando Pessoa
OBS: É interessante como esse trecho abaixo está em consonância com outra visão, a do lama tibetano Sogyal Rinpoche, mestre de outra vertente de conhecimento e de outro hemisfério do planeta, n”O Livro Tibetano do Viver e do Morrer“, onde ele expressa a mesma percepção da maneira como os ocidentais tratam a realidade da morte. Veja no post “O grave problema de ignorar ou negar o significado da morte, por Sogyal Rinpoche“, publicado aqui em 2011.
O ensaio completo de Freud pode ser encontrado em português nos livros “Obras Psicológicas Completas”, Sigmund Freud (2010), “Porquê a Guerra?”, Sigmund Freud (1997), e “Escritos Sobre a Guerra e a Morte”, Sigmund Freud (2009).
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“A NOSSA ATITUDE DIANTE DA MORTE” [Ensaio]
Por Sigmund Freud
(…) O segundo factor de que deduzo que hoje nos sentimos desorientados neste mundo, antes tão belo e familiar, é a perturbação da atitude, até agora imutável, perante a morte.
Esta atitude não era sincera. Se alguém nos escutasse, estaríamos naturalmente dispostos a afirmar que a morte era o desenlace necessário de toda a vida, que cada um de nós estava em dívida de morte para com a Natureza e deveria estar preparado para pagar tal dívida, em suma, que a morte era natural, indiscutível e inevitável. Na realidade, porém, costumávamos comportar-nos como se fosse de outro modo. Temos uma tendência patente a prescindir da morte, a eliminá-la da vida. Tentámos silenciá-la; temos até o provérbio: pensamos em algo como na morte. Como na própria, claro está! A morte própria é, pois, inimaginável, e quantas vezes o tentamos pudemos observar que, em rigor, permanecemos sempre como espectadores. Assim, foi possível arriscar na escola psicanalítica esta asserção: no fundo, ninguém acredita na sua própria morte ou, o que é a mesma coisa, no inconsciente, cada qual está convencido da sua imortalidade.
No tocante à morte dos outros, o homem civilizado evitará cuidadosamente falar de tal possibilidade, quando o destinado a morrer o possa ouvir. Só as crianças infringem esta restrição; ameaçam-se sem pejo umas às outras com as probabilidades de morrer e chegam, inclusive, a dizer na cara de uma pessoa amada coisas como esta: «Querida mamã, quando morreres, farei isto ou aquilo.» O adulto civilizado não admitirá de bom grado nos seus pensamentos a morte de outra pessoa, sem aparecer aos seus próprios olhos como insensível ou mau; a não ser que como médico, advogado, etc., tenha a ver com a morte. E muito menos se permitirá pensar na morte de outro quando a tal acontecimento está ligado um ganho de liberdade, de fortuna ou de posição social. Naturalmente, esta nossa delicadeza não evita as mortes, mas quando estas acontecem, sentimonos sempre profundamente comovidos e como que abalados nas nossas expectações. Acentuamos com regularidade a motivação casual da morte o acidente, a enfermidade, a infecção, a idade avançada, e traímos assim o nosso empenho em rebaixar a morte de necessidade a casualidade. Uma acumulação de casos mortais afigura-se-nos como algo de sobremaneira horrível. Diante do próprio morto adoptamos um comportamento peculiar, quase como de admiração por alguém que levou a cabo algo de muito difícil. Excluímos a crítica a seu respeito, fazemos vista grossa sobre qualquer injustiça sua, determinamos que de mortuis nil nisi bene (dos mortos apenas se diz bem), e achamos justificado que na oração fúnebre e na inscrição sepulcral ele seja honrado e exaltado. A consideração para com o morto, de 2 que ele já não precisa, está para nós acima da verdade, e para a maioria de nós, decerto também, acima da consideração para com os vivos.
Esta atitude convencional da nossa civilização perante a morte é complementada pelo nosso total colapso quando a morte feriu uma pessoa que nos é muito chegada, o pai ou a mãe, o esposo ou a esposa, um filho, um irmão ou um amigo querido. Enterramos com ele as nossas esperanças as nossas aspirações e os nossos gozos, não queremos consolar-nos e recusamo-nos a toda a substituição do ente querido. Comportamo-nos então como os ‘Asras’, que morrem quando morrem os que eles amam.
Esta nossa atitude face à morte exerce, porém, uma poderosa influência na nossa vida. A vida empobrece-se, perde interesse, quando a aposta máxima no jogo da vida, ou seja a própria vida, se não tem de arriscar. Torna-se tão insípida vazia, como porventura um flirt americano, no qual se sabe de antemão que nada pode acontecer, diferentemente de uma relação amorosa continental em que ambos os parceiros devem ter sempre presente a possibilidade de graves consequências. Os nossos laços sentimentais, a intensidade intolerável da nossa pena levam a desviar-nos dos perigos para nós e para os nossos. Não nos atrevemos a ter em conta uma série inteira de empreendimentos que são perigosos, mas inevitáveis, como as tentativas dos aviadores, as expedições a terras longínquas, as experiências com substâncias explosivas. Paralisa-nos o escrúpulo de quem substituirá o filho ao lado da mãe, o homem ao lado da mulher, o pai junto dos filhos, se suceder alguma desgraça. A tendência para excluir a morte da conta da vida traz consigo muitas outras renúncias e exclusões. E, todavia, o lema da Confederação hanseática reza assim: Navigare necesse est, vivere non necesse! Necessário é navegar, não viver!
Resta então apenas procurar no mundo da ficção, na literatura, no teatro, a compensação do que na vida minguou. Aí encontramos homens que sabem morrer, mais ainda, que conseguem também matar os outros. Só aí se realiza também a condição sob a qual poderíamos reconciliar-nos com a morte, a saber, a de que por trás de todas as vicissitudes da vida nos ficou ainda uma vida intangível. É demasiado triste que na vida venha a suceder como no xadrez, onde uma falsa jogada nos pode forçar a dar por perdida a partida, mas com a diferença de que já não podemos começar uma segunda partida de desforra. No campo da ficção, deparamos com a pluralidade de vidas de que necessitamos. Morremos na identificação com um herói, mas sobrevivemos-lhe e estamos dispostos a morrer outra vez, igualmente indemnes, com outro herói.”
(…)
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quarta-feira, julho 03, 2013
sábado, junho 29, 2013
Doença de Alzheimer revertida pela primeira vez- leia mais
Investigadores usaram técnica de estimulação cerebral profunda
2013-06-28
Foram aplicados pequenos impulsos eléctricos perto do fórnix
A doença de Alzheimer foi revertida pela primeira vez. Uma equipa de investigadores canadianos, da Universidade de Toronto, liderada por Andres Lozano, usou uma técnica de estimulação cerebral profunda, directamente no cérebro de seis pacientes, conseguindo travar a doença há agora já mais de um ano. O estudo vem publicado na«Annals of Neurology».
Em dois destes pacientes, a deterioração da área do cérebro associada à memória não só parou de encolher como voltou a crescer. Nos outros quatro, o processo de deterioração parou por completo.
Nos portadores de Alzheimer, a região do hipocampo é uma das primeiras a encolher. O centro de memória funciona nessa área cerebral
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domingo, junho 23, 2013
quinta-feira, junho 20, 2013
Contardo Calligaris- Sonhos de calor humano
| Cena do filme "Antes da meia noite" |
As manifestações que se espalharam (e seguem se espalhando) por São Paulo e por outras cidades do país me impressionaram pela rapidez com a qual o protesto, supostamente motivado pelo aumento das passagens de ônibus, tornou-se expressão de outras insatisfações, profundas e cruciais --contra a má qualidade e a má gestão do que é público, contra a insegurança de nossas ruas, contra a corrupção, contra o mistério nacional que resulta em produtos caros e salários baixos, contra os políticos com sua falta de competência e seu excesso de promessas, contra o desperdício da Copa que vem aí, contra a lentidão e a ineficácia da Justiça, que parece que late e nunca morde etc.
Domingo, num café de família, verifiquei, aliás, que as passeatas da semana passada não eram mais (se é que foram no começo) a manifestação de uma geração ou de uma classe social (e ainda menos de um partido).
Todos parecem cansados de uma cantilena ufanista que quase nos adormeceu: o discurso do Brasil que dá certo, que cresce (?), que está no caminho, que resistiu à crise enquanto os outros se deram pior, que acabou com a miséria (?) etc.
Levantando a cabeça atordoada pela propaganda, a gente pergunta: isso aqui é mesmo tudo o que conseguimos ser, como sociedade?
As manifestações da semana são frutos de um descontentamento bem justamente brasileiro. Ao mesmo tempo, elas pertencem a uma voz popular que se expressa, mundo afora, há tempo --e não só desde Seattle, em 1999.
Paradoxalmente, foi assistindo ao filme de Linklater que me pareceu entender por que somos (e não estamos) insatisfeitos com as sociedades nas quais vivemos.
Linklater filmou uma trilogia: no primeiro filme, "Antes do Amanhecer" (1995), Jesse e Céline descem do trem onde se encontraram para passear por Viena, até eles terem que voltar, no dia seguinte, cada um para seu lugar. No segundo, "Antes do Pôr do Sol" (2004), Jesse está promovendo, em Paris, o livro que ele escreveu sobre seu encontro em Viena com Céline; Céline vai ao lançamento, e eles se reencontram.
Em "Antes da Meia-Noite", agora em cartaz, Jesse e Céline se juntaram no fim do filme anterior, tiveram duas filhas e estão de férias na Grécia: o charme das conversas passadas se transformou num pesadelo, em que uma oposição estéril, abstrata e inexplicável parece ser o destino a longo prazo de qualquer conversa de casal.
Ou seja, o amor é o encanto de um encontro, um sonho: quando ele se realiza como convivência, ele pode durar, mas será facilmente cômico e sempre insuficiente.
Ora, essa verdade do amor talvez valha para qualquer projeto de convivência social. A sociedade que nos parece certa, que desejamos, existe na mágica do encontro e do sonho (o momento da manifestação, da militância). Como acontece com o amor, a realização dessa sociedade é sempre insatisfatória --claro, às vezes ela é um pesadelo absoluto e totalitário, outras vezes ela é parecida com aqueles casamentos que continuam porque ninguém acredita que a coisa possa melhorar e porque ninguém está a fim de ficar sozinho.
Ao longo de alguns séculos, o indivíduo se tornou para nós mais importante do que a comunidade. Esse período teve seu ápice no começo da modernidade. Paradoxalmente, logo quando o indivíduo passou a encabeçar nossos valores, a gente começou a idealizar o amor romântico como doação perfeita de cada um ao outro.
Da mesma forma, quando começamos a inventar as regras e as formas de uma sociedade de indivíduos separados e autônomos, logo naquele momento começamos a sonhar com o abraço de comunidades unidas e fraternas.
Ou seja, quanto mais prezamos o indivíduo, tanto mais sonhamos com o amor e o ideal comunitário.
Esse paradoxo nos define. Estamos em conflito permanente entre nossa aspiração individual e nossos sonhos amoroso e comunitário. Em matéria de amor, a consequência parece chata (nunca dá certo).
Mas em matéria de sociedade, sorte nossa: de vez em quando, podemos nos acomodar, mas nunca somos satisfeitos com a sociedade que conseguimos construir.
Melhor assim
quarta-feira, junho 19, 2013
Sobre "cura gay"
A proposta da "cura gay" é inteiramente discrepante à posição de Freud numa carta a mãe de um adolescente homossexual em 1936:
"Prezada Senhora,
Deduzo de sua carta que seu filho é homossexual. Estou especialmente impressionado com o fato da senhora não ter mencionado este termo no seu relato sobre seu filho. Posso perguntar-lhe porque o evitou? A homossexualidade seguramente não é uma vantagem , mas não é nada vergonhoso, não é um vício, não é uma degradação, não pode ser classificada como uma doença; nós a consideramos uma variação da função sexual produzida por um certo bloqueio no desenvolvimento sexual.
Muitos indivíduos altamente respeitáveis na antiguidade e também nos dias de hoje, foram homossexuais, muitos homens notáveis de sua época (Platão, Michelangelo, Leonardo da Vinci). É uma grande injustiça e crueldade a perseguição da homossexualidade como um crime. Se você não acredita em mim, leia os livros de Hamelock Ellis.
Ao perguntar-me se eu poderia ajudar, suponho que você quer saber se posso abolir a homossexualidade e colocar a heterossexualidade normal em seu lugar. A resposta é que, de uma maneira geral, não podemos prometer conseguir isto. Em certos casos temos sucesso em desenvolver as incipientes tendências heterossexuais que estão presentes em todos os homossexuais, mas na maior parte dos casos isto não é mais possível. Depende das características e idade do indivíduo. O resultado do tratamento não pode ser previsto.
O que a análise pode fazer por seu filho segue em outra direção. Se ele é infeliz, neurótico, torturado por conflitos, inibido em sua vida social, a análise pode lhe trazer harmonia, paz de espírito, completo desenvolvimento de suas potencialidade, continue ou não homossexual.
Se você decidir que ele deve fazer análise comigo - e eu não espero que isto aconteça - ele deverá vir a Viena. Não tenho intenção de mudar-me. De qualquer forma, não deixe de me responder,
Sinceramente,
Desejo-lhe boa sorte,
Freud"
"Prezada Senhora,
Deduzo de sua carta que seu filho é homossexual. Estou especialmente impressionado com o fato da senhora não ter mencionado este termo no seu relato sobre seu filho. Posso perguntar-lhe porque o evitou? A homossexualidade seguramente não é uma vantagem , mas não é nada vergonhoso, não é um vício, não é uma degradação, não pode ser classificada como uma doença; nós a consideramos uma variação da função sexual produzida por um certo bloqueio no desenvolvimento sexual.
Muitos indivíduos altamente respeitáveis na antiguidade e também nos dias de hoje, foram homossexuais, muitos homens notáveis de sua época (Platão, Michelangelo, Leonardo da Vinci). É uma grande injustiça e crueldade a perseguição da homossexualidade como um crime. Se você não acredita em mim, leia os livros de Hamelock Ellis.
Ao perguntar-me se eu poderia ajudar, suponho que você quer saber se posso abolir a homossexualidade e colocar a heterossexualidade normal em seu lugar. A resposta é que, de uma maneira geral, não podemos prometer conseguir isto. Em certos casos temos sucesso em desenvolver as incipientes tendências heterossexuais que estão presentes em todos os homossexuais, mas na maior parte dos casos isto não é mais possível. Depende das características e idade do indivíduo. O resultado do tratamento não pode ser previsto.
O que a análise pode fazer por seu filho segue em outra direção. Se ele é infeliz, neurótico, torturado por conflitos, inibido em sua vida social, a análise pode lhe trazer harmonia, paz de espírito, completo desenvolvimento de suas potencialidade, continue ou não homossexual.
Se você decidir que ele deve fazer análise comigo - e eu não espero que isto aconteça - ele deverá vir a Viena. Não tenho intenção de mudar-me. De qualquer forma, não deixe de me responder,
Sinceramente,
Desejo-lhe boa sorte,
Freud"
sábado, junho 15, 2013
Relato de um esquizofrênico
Danilo Verpa/ Folhapress
| Jorge Cândido de Assis, 49, no departamento de psiquiatria da Unifesp, em São Paulo Artigo Folha de São Paulo Ex-aluno de física e de filosofia da USP, Jorge Cândido de Assis carrega no corpo das marcas da esquizofrenia. Aos 21, durante uma crise, ele se jogou contra um trem do metrô e perdeu uma perna. |
Hoje, aos 49 anos, cinco crises psicóticas, ele dá aulas sobre estigma em um curso de psiquiatria e acaba de lançar um livro no qual descreve a experiência de enlouquecer. "Entre a Razão e a Ilusão" (Artmed Editora) foi escrito em parceria com o psiquiatra Rodrigo Bressan e com a terapeuta Cecilia Cruz Villares, da Unifesp.
Leia o depoimento dele.
*
"Tive uma infância tranquila, jogando bola na rua. Aos 14 anos, entrei na escola técnica e já sabia trabalhar com eletricidade. Adorava física.
Em 1982, prestei vestibular para física na USP e não passei. Em 1983, fiz cursinho, prestei de novo e não passei.
Consegui uma bolsa no cursinho, passei perto e não entrei de novo. Foi um ano depressivo para mim. Eram os primeiros sinais da esquizofrenia, mas eu não sabia.
Eu me isolei, tinha delírios. O desfecho foi trágico. Numa manhã de domingo, entrei na estação do metrô Liberdade. Escutei uma voz: "Por que você não se mata?". Me joguei na frente do trem.
Acordei três dias depois no hospital sem a minha perna direita. Tinha 21 anos.
Foi bem sofrido, mas coloquei toda minha energia e determinação na reabilitação. Quatro meses depois, já estava com a prótese.
Sozinho, voltei a estudar para o vestibular e passei em física e fisioterapia na Universidade Federal de São Carlos. Meu sonho era desenvolver uma prótese melhor e mais barata do que as versões que existiam naquela época.
Um dia, em 1987, cheguei em casa e ela havia sido arrombada. Tive que ir até a delegacia dar queixa e reconhecer os objetos furtados.
Isso desencadeou a segunda crise psicótica. Tinha delírios de grandeza, alucinação, mania de perseguição.
Isso desencadeou a segunda crise psicótica. Tinha delírios de grandeza, alucinação, mania de perseguição.
Fui internado em Itapira durante um mês. Saí de lá com diagnóstico de esquizofrenia, medicado mas sem encaminhamento. Um dos remédios causava enrijecimento da musculatura e eu não conseguia escrever. Então parei de tomar a medicação e comecei a fazer tratamento em centro espírita.
Voltei a estudar em São Carlos. Depois da crise, perdi muitos amigos por puro estigma. Comecei a trabalhar, paralelamente aos estudos, mas ficou pesado demais. Preferi desistir do curso.
Em 1993, prestei vestibular na USP e passei. Foi mágico, a realização de um sonho. Continuei trabalhando, mas cheguei num ponto de saturação e desisti do curso.
Minha vida foi perdendo o sentido, vivia por viver. Me sentia vazio de emoções.
Nesse período, fazia parte de um grupo de pesquisa na USP. Mas, por uma série de divergências, o grupo se desfez. Ao mesmo tempo, meu namoro acabou. Esses dois fatores desencadearam minha terceira crise.
Foi uma crise também com delírios, alucinações, isolamento. Fiquei um mês internado. Foi aí que comecei a me tratar de esquizofrenia de fato. Além das medicações, fazia psicoterapia, terapia ocupacional e prestei vestibular para filosofia na USP. Passei. Sentia-me tão bem que disse: "Superei a esquizofrenia. Vou parar com os remédios".
Minha mãe morreu em 2002 e, em seguida, tive a minha quarta crise, que também foi controlada com remédios. É como começar do zero.
Entre 2003 e 2007, participei de um grupo de pacientes com esquizofrenia em que discutíamos a doença, as vivências, as formas de comunicação. Em 2005, o [psiquiatra] Rodrigo Bressan me convidou para participar das aulas dele contando a minha experiência pessoal, sobre o estigma. Em 2007, surgiu o projeto do livro sobre direitos de pacientes com esquizofrenia.
Foi um processo de criação intenso durante 18 meses. Em 2008, o Rodrigo me convidou para deixar de ser paciente e entrar para a equipe dele. Foi uma grande oportunidade.
No início do ano passado, fui palestrar em Londres sobre o nosso trabalho. Quando estava voltando, fizemos uma escala em Madri.
Sentia muita dor na perna e pedi uma cadeira de rodas. Esperei e nada.
Tirei a perna mecânica, coloquei na bolsa e fui pulando até a sala de embarque. Todo esse estresse me levou à quinta crise. Ela foi rapidamente controlada, mas é um processo difícil retomar a rotina anterior, ressignificar as coisas para que a vida faça sentido.
Depois das crises, tenho que renascer das cinzas. Muitas pessoas desistem. Precisa de uma grande dose de esforço para reconstruir a vida.
A medicação ajuda, mas não é garantia. Consigo lidar com as demandas da vida, mas nunca sei se o que sinto é ou não da doença.
Não ouço mais vozes, mas tenho autorreferência. Penso que tudo ao meu redor tem a ver comigo. Se ouço um barulhinho lá fora, acho que pode ter câmera escondida.
Se as pessoas estão conversando no corredor, acho que estão falando sobre mim.
O delírio é inquestionável, você acredita nele. Mas tenho clareza do que é autorreferência, deixo para lá.
Tenho que saber os meus limites. O referencial para a gente é o mundo exterior, a relação das pessoas.
Muitas vezes, o início das crises não é percebido. Por isso é importante dividir com o médico, com a família.
O estigma também é muito prejudicial. Ser apontado como o louco ou ser desacreditado só piora. A esquizofrenia é uma doença crônica, que afeta as emoções, os relacionamentos, as vontades.
Tenho sorte de ter uma família unida, que me apoia. Isso dá sentido à minha vida.
Olho para trás e confesso que me sinto frustrado por ter começado duas vezes física, em duas das melhores universidades, e não ter concluído.
Mas fico feliz com o trabalho de poder ajudar outras pessoas com a minha história. As pessoas sofrem no Brasil pela falta de locais para a troca de informações.
Minha meta agora é construir uma rede de associações de apoio a pacientes com esquizofrenia.
Eu não sou só a doença, e a doença não me define.
Tenho que lidar com a esquizofrenia, mas ela não é a parte mais fundamental da minha vida."
quarta-feira, junho 12, 2013
What's the Difference Between Yoga and Pilates?
Daqui
Traduzido pelo Google aqui.
I have always thought of the combination of Pilates and yoga as the perfect marriage. Both are transformational, focused methods of movement that facilitate positive change in the body, mind and spirit. In my opinion, their differences complement one another in the best of ways. Pilates is known as a "workout," and yoga as a "practice"; however, the irony here is that, in order to improve
at anything, we have to practice, and when we practice well both Pilates and yoga are can be exceptional workouts. And as you will see, both are worthy of your time and attention for innumerable reasons.
Unless you're very familiar with both—or a trained instructor—it may be difficult to tell how these two programs are different. In truth, there is a lot of overlap and similarities between yoga and Pilates. And what better way to understand them both than with a little history lesson on each.
Pilates
Born near Dusseldorf, Germany, in 1880, Joseph H. Pilates had his challenges as a child, suffering from asthma, rickets and rheumatic fever. His determination to heal led to his study of Eastern and Western forms of exercise, including yoga and ancient Greek and Roman exercise regimens.
By the time he was 14, Pilates had quickly become a veritable renaissance man of exercise. Accomplished as a wrestler, diver, skier and a gymnast, he was even asked to pose as a model for anatomical charts. When World War I broke out, he was interned for a year in England, and while in the camp, he taught his fellow internees the physical fitness program he had developed, boasting that they would emerge stronger than they were before imprisonment. Those who followed his program are said to have resisted the influenza epidemic that killed thousands.
Always curious and compassionate, after encountering soldiers who were disabled as a result of wartime injuries, he began devising machines using ...
Unless you're very familiar with both—or a trained instructor—it may be difficult to tell how these two programs are different. In truth, there is a lot of overlap and similarities between yoga and Pilates. And what better way to understand them both than with a little history lesson on each.
Pilates
Born near Dusseldorf, Germany, in 1880, Joseph H. Pilates had his challenges as a child, suffering from asthma, rickets and rheumatic fever. His determination to heal led to his study of Eastern and Western forms of exercise, including yoga and ancient Greek and Roman exercise regimens.
By the time he was 14, Pilates had quickly become a veritable renaissance man of exercise. Accomplished as a wrestler, diver, skier and a gymnast, he was even asked to pose as a model for anatomical charts. When World War I broke out, he was interned for a year in England, and while in the camp, he taught his fellow internees the physical fitness program he had developed, boasting that they would emerge stronger than they were before imprisonment. Those who followed his program are said to have resisted the influenza epidemic that killed thousands.
Always curious and compassionate, after encountering soldiers who were disabled as a result of wartime injuries, he began devising machines using ...
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sábado, junho 08, 2013
Solidão masculina x Solidão feminina
"As mulheres sofrem da solidão na medida em que estão mais ou menos afetadas pelo feminino, as mulheres sofrem da solidão porque nessa solidão a feminilidade as sufoca, por assim dizer. Daí a importância da presença do amor e do desejo de um homem que produz um desdobramento que a alivia do gozo ilimitado, do gozo que não está mediado falicamente. Um homem permite a uma mulher viver seu gozo de um modo que não seja devastador, que não seja avassalador, que não seja um sem limite que a conduza para a angústia.
Pelo contrário, na sexualidade masculina encontramos uma satisfação na solidão, um gozo solitário que eventualmente se transforma em neurose obsessiva quando empurra para o isolamento. Assim como uma mulher quer geralmente um homem que esteja com ela, o homem quer - como se diz vulgarmente - trepar com uma mulher, o que na neurose obsessiva se faz acompanhado de um certo desespero para fugir imediatamente: que a mulher se vá o mais rápido possível. A presença de uma mulher mais além do campo do desejo é, as vezes, um ponto de angústia para o neurótico obsessivo. O homem se sente bastante aliviado em estado de solidão justamente porque não tem que se haver com essa alteridade do feminino. Assim, tanto para um homem como para uma mulher o perturbador é o feminino, a diferença é que um homem pode evitar essa perturbação esquivando de estar muito tempo com uma mulher, enquanto que uma mulher não tem outra saída do que estar com ela todo o tempo, salvo se consiga neutralizar totalmente sua condição de mulher."
(Nieves Soria Dafunchio - Nudos del amor, p. 135)
Carta de Freud à Ferenczi sobre pagamento de sessões
Freud e Ferenczi
Carta de Freud à Ferenczi
12/04/1910:
“O que o Sr. Me conta na última carta ocupou minha mente em diferentes direções. (...) O jovem rapaz de Pre*burg também está insatisfeito aqui com Sadger. Ele gosta mais do Sr. pessoalmente e gostaria de voltar para o Sr., se os conhecidos dele em Budapeste não fossem molestá-lo. Ele também tem algo contra Rekawinkel. No fundo, ele não quer nada. Eu mandei dizer a ele umas grosserias através da mãe.
Aproveito a ocasião para dizer que está errado em cobrar apenas 10 coroas pela sessão, quando Sadger está cobrando 20. Veja, o Sr., as 10 coroas não retiveram o rapaz com o Sr., nem as 20 o impediram de procurar Sadger. Prometa-me corrigir-se!”
quarta-feira, junho 05, 2013
Freud em"O valor da vida"
25
de agosto de 2011
Entrevista com Freud:
Limites: O Sr. foi muitas vezes acusado por suas formulações teóricas de ter abalado o sono da humanidade. O que o Sr. tem a dizer sobre isto?
Freud: "Não me faça parecer um pessimista. Eu não tenho desprezo pelo mundo. Expressar desdém pelo mundo é apenas outra forma de cortejá-lo, de ganhar audiência e aplauso. Não, eu não sou pessimista, não enquanto tiver meus filhos, minha mulher e minhas flores! Não sou infeliz - ao menos não mais infeliz que os outros." (O valor da vida - uma entrevista rara de Freud, in Sigmund Freud e o Gabinete do Dr. Lacan, Ed. Brasiliense, 1989).
Limites: O Sr. foi muitas vezes acusado por suas formulações teóricas de ter abalado o sono da humanidade. O que o Sr. tem a dizer sobre isto?
Freud: "Não me faça parecer um pessimista. Eu não tenho desprezo pelo mundo. Expressar desdém pelo mundo é apenas outra forma de cortejá-lo, de ganhar audiência e aplauso. Não, eu não sou pessimista, não enquanto tiver meus filhos, minha mulher e minhas flores! Não sou infeliz - ao menos não mais infeliz que os outros." (O valor da vida - uma entrevista rara de Freud, in Sigmund Freud e o Gabinete do Dr. Lacan, Ed. Brasiliense, 1989).
domingo, junho 02, 2013
HBO Brasil grava série baseada em contos de Contardo Calligaris
Estão gravando há cinco semanas, soube ontem.
HBO Brasil prepara série baseada em contos de Contardo Calligaris
sábado, junho 01, 2013
Esperança para novos cientistas- e para nós, óbvio!
Escola Lygia Maria, localizada no Campus do Cérebro- Macaíba-RN
Vejam mais aqui
Entrada principal prédio novo do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra.
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quarta-feira, maio 22, 2013
Um grande ouvinte
Daqui: Circulo Psicoanalitico Freudiano
El gran escuchador
Peter Roos, Die Zeit, 27 de abril, 2006
En 1936 Margarethe Walter consultó con Sigmund Freud, le abrió su corazón y hasta hoy se emociona. "¡Me salvó la vida!". Margarethe Walter se enfrenta a la casa famosa en el número 19 de la calle Berggasse 19 en Viena. Hace 70 años estuvo aquí por última vez, en la primavera de 1936, pocas semanas antes de graduarse de la escuela secundaria. Aquí, en el gabinete del Dr. Sigmund Freud esta señora, que ahora tiene tiene 88 años de edad, vivió 45 minutos que le cambiaron la vida "totalmente".
Nacida en 1918, "Gretl" es la última paciente viva de Freud. Ella "por supuesto, no sabía nada de nada", cuando como la niña bonita de la escuela de comercio a los 18 años por primera vez visitó esta casa. Era una orden de su padre que viera a este médico, por lo que tuvo "voluntaria e indiferentemente" se dejó traer en el lujoso automóvil con chofer de su familia. Tampoco su señor padre, un patriarca fabricante de municiones de caza, sabía muy bien a quién se enfrentaría. Él sólo traía una carta de su médico de cabecera a un cierto Doctor Freud, "que es muy bueno, pero aún más caro."
Los visitants fueron de inmediato llevados al gabinete. Margaret estaba totalmente confundida. "¡Eso no era un consultorio común! No había ningún pacientes sentado en la sala de espera. No olía a hospital y no había ninguna mujer de blanco a la vista. por ningún lado. "Y al igual que en el salón de casa había un sofá en una posición central, cubierto de manera extraña por una alfombra con infinitos flecos". Y a la cabeza del sofá, sorprendentemente, un fauteuil. Y también eran inusuales los muchos jarrones en los estantes superiores de las bibliotecas y por todas partes innumerables figurillas extraídas de excavaciones. "¡Me gustó mucho eso!"
El padre estaba enojado. Tuvo que esperar los diez minutos que necesitó el médico para leer la carta de su colega, y esperar era algo a lo que no estaba acostumbrado, ni con los 18 trabajadores de la fábrica ni menos aun en la familia "con las mujeres". ¿Qué estaba haciendo aquí? El médico de familia sólo había diagnosticado una bronquitis normal. Y además, algo que ella no debía escuchar, un "malestar del alma." De ahí la derivación al Dr. Freud, un "Kapazunder" (un 'capo') en este campo, como se dice en Viena. Otra cosa que Margarethe tampoco sabía es que en Grätzel se la consideraba "rara". Crucial para determinar la visita a Freud, fue el vendedor de carbón de la vereda de enfrente que le dijo al mayordomo y a la limpiadora que la hija del fabricante de municiones era "loca". ¿Loca?
Margarethe había representado más de una vez desde su ventana del primer piso el papel de "Isolda", esperando a »Tristan«. Para el carbonero y sus hijos que la miraban, como gente sensata y simple que eran, nada más loco que ver a esta chica declamando con la cabeza y el cuello envueltos en el chal de su abuela de 80 años que la vigilaba noche y día. "Yo era la chica más solitaria en Viena", recuerda Margarethe. "Sola, sobrecuidada, encerrada y segura de que no me querían. Nadie me ha levantado a upa, nadie me ha sujetado la mano. En la casa no se besa. Su madre murió al darla a luz, la madrastra era fría y codiciosa, la abuela rigurosa e hiper ansiosa, e incluso su compañero de juegos, el perro de la casa, era viejo como las montañas y estaba siempre cansado. Por supuesto, el padre era distante. Y por supuesto no se hablaba, o al menos nadie le hablaba a ella. No se permitían visitas, ni siquiera en la villa de fines de semana en los bosques de Viena. "Todo lo que me pasaba a mí, era determinado a mis espaldas y por encima de mi cabeza."
Entra Sigmund Freud. Llena la habitación. Discreta, pero firmemente. Ya es un viejo de 80 años. "Un poco de barba blanca, un traje gris, un poco encorvado." Margarethe Walter coloca una silla en la sala de trabajo de Freud –hoy un museo—en el lugar exacto donde se sentó hace 70 años. Frente a ella ubicamos la silla del padre. Hay que imaginarse una mesa de café frente al famoso diván. "El Dr. Freud tomo asiento exactamente en el medio entre los dos." Somos los únicos visitantes del pequeño museo. Es un lugar tranquilo, y de repente las pupilas de Margarethe se inclinan como si miraran hacia adentro. Cierra los ojos y deja que la imagen aparezca que hasta hoy la llena de curiosidad. "Era un hombre muy viejo que me ha visto entera y por completo. Me miró directamente a los ojos". Ella titubea. Se sonríe. "Era frágil pero lleno de fuerza". Silencio. "Me preguntó mi nombre, pero el que respondió fue mi padre. Me pregunta por mi escuela y contestó mi padre. Lo que hago en el tiempo libre… y respondió mi padre. Tampoco la respuesta a la pregunta sobre qué profesión quiero sale de mi boca. Eso es lo que pasaba con nosotros siempre en casa, dice la paciente ahora, pero en aquella época "yo estaba sentado allí como un objeto que hubieran traído." Freud no dice nada. Y de repente le dice al padre de Margarethe, simple y cordialmente:
"Por favor, vaya a la habitación contigua. Me gustaría hablar con su hija en paz." Voltea su silla hacia ella, se le acerca y le dice mirándole la cara. "Ahora estamos solos" y de inmediato toda la presión desapareció. La timidez inicial "voló como soplada".
Y ella habla y habla, y su "eterno deseo que alguien me hable es realizado de manera maravillosa: Sigmund Freud fue la primer persona en mi vida que realmente demostró simpatía por mí, que quería saber de mí algo, ¡el único que me ha escuchado a mí de verdad!" Margarethe habla de su odio a la madrastra, a la escuela y a los paseos dominicales, que no debe tener amigas, no puede elegir sus zapatos, no puede usar la ropa que le gusta. Que está tan sola como no se puede imaginar y que por eso juega sola al teatro o disfraza a las piezas de ajedrez del padre con papel crepé para jugar como muñecos de la Edad Media.
"Ininterrumpidamente me mira, me mira, y toda su simpatía me envolvió". Ella le confiesa a continuación, que tiene todo investigado y ha encontrado que la llave del reloj marca "ident" del abuelo está junto con la llave de los estantes de la biblioteca, así que por fin ha descubierto los secretos que éstos encierran. "De noche, cuando la abuela ronca, deslizo la mano detrás de los tomos de Grillparzer y de Goethe para alcanzar los libros picantes de la segunda fila, como El amor de la mujer blanca. Freud aparentemente quería saber todos los detalles, incluso sobre la abuela María, nacida en 1856, con quien Margarita tenía que compartir la habitación y hasta los vestidos, que se guardaban desde la revolución de 1894. Freud escuchaba "y cuando yo hacía una pausa para respirar, me animaba con un '¿y?" Por sobre todo, Margaret quería, en definitiva, que por una vez en su vida, cuando fuera al cine con su padre, "pueda ver una escena de amor hasta el final". Freud parece desconcertado. "Sí, cada vez que en la pantalla comienza algo entre un hombre y una mujer, el padre determina que "esto no es para ti" y bruscamente la hace dejar el teatro con él de inmediato. ¿Protesta ella? No. ¡Es impensable! Freud vuelve a dirigir "con increíble atención" sus ojos sobre la joven. "Toda la persona estaba interesada en mí, y con ello abrió algo en mí que nadie más ha abierto." Setenta años después, todavía vibra con la fascinación y la suerte de esta confianza.
"Una vez bastó para que estuviera satisfecha", un sentimiento hasta entonces desconocido. Era un "sentirse cómodo" cuando se ha tenido "una muy buena comida, y encima, como si alguien hubiera abierto una ventana y dijera: 'No mires siempre al suelo. Mira hacia afuera. Todo es posible '". Margarethe Walter se endereza en su asiento, sus ojos se mueven rápidamente, con audacia. Cuando Freud envió a su señor padre fuera de la habitación, ella oyó explotar todo el edificio de Berggasse 19. "¡Una revolución!" Ella aguanta la respiración. "A un padre así no se lo echa. ¡Nunca! El padre tenía su rostro lleno de ira, descontento, furia por esta demanda. Pero también está llena de dudas, porque no estaba acostumbrado a ser contradicho. ¡Qué miedo infernal tenía Margarethe frente a su despotismo! "Por supuesto, Margarethe iba a asumir la fábrica". Pero ella quería ser peluquera o tal vez escultora.
Antes de que Freud invitara al padre a entrar de nuevo, antes de que escribiera un billete para el médico de cabecera y la factura por sus honorarios para el señor empresario, volvió a mirarla fijo por última vez.
Ahora Usted tiene 18 años de edad y por lo tanto es adulta, razonó. Y agregó, más como exhortación que como receta: "la edad adulta es la superación de la queja y la realización de aquello que hace a una personalidad. Atender a los deseos. Entender las frustraciones. Preguntar por qué y no aceptar cualquier respuesta tontamente. Lo que realmente importa es la determinación, la firmeza y la calma para afirmarse. "Y -ordenó con severidad- cuando llegue la siguiente escena de beso en el cine, ¡Usted se queda sentada! Se lo digo claramente: ¡Se queda sentada!" Pausa. Ojos profundos sobre ella y finalmente: "¡Piense en mí!"
Margarethe ha pensado en Freud toda una vida. Ha regalado muchos de sus libros, pero nunca leyó ninguno. Su mirada, en cambio, la siente sobre ella "hasta este segundo ahora". El "me despertó, me abrió y me dejó ser. Me dio el impulso decisivo y la libertad de tomar cualquier rumbo. No más sin voluntad, no más una niña, mucho menos una cosa, sino adulta, independiente, responsable y un yo. He seguido, incansable, lo que él me enseñó. Y esa fuente de alimento para mi alma no se ha secado en más de 70 años. "Margarethe Walter se levanta. Es una anciana con moño blanco como la nieve y apenas un metro 53 de altura, pero su fuerza llena toda la habitación.
"Freud es la clave de mi vida", dice de manera casi de manera casual en su antiguo gabinete mientras posa su mano en el respaldo de su silla. "Él sabía que con 45 minutos alcanzaba para mi vida." Da la vuelta y va al guardarropas. Por supuesto, Margarethe devino escultora. El mismo día del llamado a filas de su marido, un tipo del calibre de su padre con quien se casó tempranamente para huir de la casa paterna, ella solicitó la incorporación a la Academia de Arte de Viena y fue aceptada inmediatamente. Dos años más tarde casi le da un patatús en el taller de su maestro. El busto que modelaba el profesor era el de Sigmund Freud. El shock de reconocerlo le dejó clarísimo "quién me salvó la vida". Margarethe Walter sigue trabajando hasta hoy en su profesión. Recién ha terminado un relieve de la escritora Bertha von Suttner encargado por el movimiento por la paz de Viena. Y sin embargo el "arte sólo fue el segundo violín en mi vida", se lamenta, ya que "finalmente tuve que criar a dos hijas bajo la influencia del 1968 – un trago difícil". Toda una vida en Viena ¿y jamás volvió a esta famosa dirección? Asombrada, levanta las cejas: "¿Para qué lo haría? Nunca sentí la necesidad de ver los sillones o las estatuitas del lugar en el que lo vi vivo y donde dos veces me dio la mano".
Poco después de la visita salvadora, Margarethe Walter fue con su padre al cine Admiral de Viena. Cuando Lilian Hervey en un vestido rococó de escote profundo fue besada en su hombro desnudo por Conrad Veith, el jefe de la familia anunció como de costumbre "esto no es para ti". No se llamaba acaso la película El amor de la princesa? La orden habitual fue repetida: "¡Nos paramos y vamos!" Margarethe se aferró con los diez dedos en el posabrazos y hundió la cola en la butaca. "¡No! –dijo- yo me quedo". Y se quedó sentada.
El padre la esperó en el vestíbulo y "¡jamás dijo una sola palabra!"
Si la escena del beso terminó, dónde o cómo, Margarethe Walter en el sudor de su resistencia, nunca llegó a ver.
(traducción de Roberto Bissio)
domingo, maio 05, 2013
Os passos lentos da psicanálise

el psicoanálisis una praxis del caso por caso y ya que cada sujeto ex-siste al tiempo llamado cronológico,
no hay una manera estadística de medir el llamado tiempo subjetivo porque en realidad solamente se puede medir el famoso tiempo para todos,por el reloj, claro, y el calendario,ese que en realidad no es el tiempo
del sujeto sino el tiempo del sistema.Un análisis avanza en la medida en que el paciente se entrega a la asociación libre, se entrega a hablar eso mismo que nunca se dice ni a sí mismo y, deposita en las orejas del analista aquellas palabras que cotidianamente pronuncia y que le son devueltas desde otro lugar en su enunciación.
La cuestión en psicoanálisis es poder pescar eso mismo que el sistema oculta haciendo de la lengua una lengua de madera, es decir una lengua que no habla sino que se basta de comunicar quejas y demandas.
Con quejas y demandas el análisis avanza lentamente porque allí justamente se oculta la verdad del sujeto, esa que se mediodice,se balbucea, se dice sin saber que se dice.>//Orlando..."
sábado, maio 04, 2013
A idade de cada um- Christian Ingo Lenz Dunker*

Estado de São Paulo
Muitos países adotam um regime penal baseado no conceito de jovem adulto: em cada caso se decide a maioridade ou minoridade penal
04 de maio de 2013 | 16h 45
Primitivamente, o tema da
minoridade não é educativo, psicológico ou jurídico, mas filosófico. No século
18, Kant veio a definir a maioridade como uso livre da razão no espaço público
introduzindo o conceito de autonomia, em oposição à minoridade da infância, na
qual somos tutelados pela família e pelo Estado. Desde então, autonomia
associa-se a um percurso de individuação, envolvendo competências morais,
discursivas e cognitivas convergentes com o processo de incorporação da lei.
Geralmente entendemos que esse processo se conclui quando o sujeito é capaz de
seguir a lei porque ela adquiriu um sentido impessoal e necessário, não porque
estamos coagidos pelo medo ou pelo desejo, orientados por inclinações ou
interesses, movidos por exemplos e normas, mas porque livremente escolhemos nos
submeter a lei. Daí que autonomia carregue consigo o sentido da autoridade,
como se fôssemos todos autores da lei. Essa é a teoria moral do dever, que
encontrou seu correlato psicológico em Piaget e Kohlberg e seu equivalente sociológico
em Habermas e Rawls. Ser autônomo é ser capaz de se reconhecer nas leis que nos
governam e se fazer reconhecer perante elas, inclusive de modo a aplicar,
questionar ou transgredi-las. A psicanálise acrescentou um importante adendo a
essa concepção ao notar que nossa relação com a lei é homóloga à relação que
temos com o desejo.
Postular a redução da
maioridade penal deveria basear-se em uma concepção de responsabilidade e
autonomia. Essa depende de como, para um determinado sujeito, combinam-se suas
condições para agir, saber e posicionar-se diante do prazer. Contudo, o litoral
entre saber e gozo é um mar revolto durante a adolescência. Em uma semana o
sujeito dá mostras do mais elevado pensamento lógico formal e reflexivo, para
na situação seguinte agir por princípios de flagrante heteronomia irreflexiva
ou mera impulsividade. A capacidade de contrapor casos e regras, definir
exceções e generalizações, criar e negociar a lei pela qual os laços com o
outro se organizam, dão forma ao saber que chamamos de responsabilidade. A
terrível travessia adolescente é ainda mais perigosa porque, além de
princípios, o sujeito é convocado a dar provas de maioridade, ou seja, a
produzir atos.
Atos de reconhecimento e
bravura, testes de desafio e incerteza, obediência e fé em um líder humano,
inumano ou extra-humano ao qual supomos autoridade fazem parte da lógica do
acesso à maioridade. O domínio do corpo, das emoções e dos prazeres, de seus
usos e abusos, compõe o terceiro ângulo de verificação da responsabilidade. A
antiga noção de caráter nada mais era do que essa amálgama entre experiências
corporais, geralmente decorrentes do mundo do trabalho, experiências de saber,
criadas pelos dispositivos de educação moral e as experiências de teste, prova
ou qualificação, chamadas pelos antropólogos de rituais de passagem.
A forma como a lei de seu
desejo se articula narrativa e discursivamente com o Outro social deveria
definir o regime de retribuição, reparação ou de equilíbrio a que ele deve se
submeter. É por isso que muitos países adotam um regime penal baseado no
conceito de jovem adulto, no qual em cada caso decide-se a maioridade ou
minoridade penal do infrator. No Brasil, curiosamente, essa ideia não pegou.
Talvez porque isso incremente imaginariamente a excepcionalidade do infrator
que instrumentaliza sua condição de menor para praticar crimes.
Nos países que adotam uma
estratégia mais gradualista para a decisão de imputabilidade, essa depende de
uma junta formada por instâncias jurídicas, educativas, médicas e psicológicas.
Distribuem-se assim as determinações pelas quais a posição de autoridade se
exerce na formação do caso social, antes da partição entre caso jurídico ou
caso educacional. O que o sujeito diz sobre o que ele fez, o modo como ele se
coloca diante de seu ato, define a diferença de seu destino penal ou educativo
e indica o tipo de tratamento médico ou psicológico que ele receberá.
Responder pelos atos é uma
função de linguagem, que presume a existência de perguntas. Responder não é só
pagar, mas também assumir e impor consequências. Pensar que a redução da
maioridade penal exercerá um efeito de medo suficiente para criar a autoridade
que falta para impedir crimes é apenas mais um exemplo da menoridade de nosso
pensamento penal.
*
CHRISTIAN INGO LENZ DUNKER É PSICANALISTA, PROFESSOR DO INSTITUTO DE PSICOLOGIA
DA USP E AUTOR DE ESTRUTURA E CONSTITUIÇÃO DA CLÍNICA PSICANALÍTICA (ANNABLUME)
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