sábado, maio 05, 2012
quinta-feira, maio 03, 2012
terça-feira, abril 10, 2012
A fala revela esquizofrenia
Análise matemática da fala flagra esquizofrenia
GIULIANA MIRANDA
DE SÃO PAULO
A forma como alguém conta uma história pode revelar muitas coisas,
inclusive transtornos psiquiátricos. Pesquisadores brasileiros criaram
um método que consegue identificar pacientes com esquizofrenia e com
mania apenas usando a fala.
DE SÃO PAULO
O trabalho começou a ser desenvolvido em 2006 e, ao longo do tempo, envolveu um time de cientistas de várias especialidades, liderados por uma equipe do Instituto do Cérebro da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal).
Os pesquisadores criaram um modelo que transforma em gráficos (grafos) o discurso dos pacientes. E, a partir desse padrão, é possível identificar padrões e correlações que são bastante específicos dessas duas psicoses.
No experimento, os cientistas analisaram 24 pessoas, sendo oito delas com diagnóstico prévio de esquizofrenia, oito de mania e oito sem psicoses diagnosticadas.
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sexta-feira, março 02, 2012
Psicanalistas...
Rs
Muito boa... O Freud poderia interpretá-lo. A parede pode representar muitas coisas...
Dependendo do lugar pode estar caindo MESMO! rs.
Tá, piada não se explica- cada um lê de um jeito.
domingo, fevereiro 26, 2012
As irmãs Papin- Zilda Fabris
O texto está aqui para quem não conseguir ler no meu blog.
O CRIME DAS IRMÃS PAPIN: O TEMPO DO ESPELHO
Zilda Fabri
De olho nos fatos:
1- As irmãs Christine e Léa Papin, uma de 28 e outra de 21 anos, trabalham como empregadas numa casa de família burguesa.
2- Em 2 de fevereiro de 1933, as irmãs matam a patroa e sua filha a sangue frio sem motivo aparente. 3- Em 30 de setembro de 1933, Christine e Léa Papin são condenadas pelo júri. 4- As irmãs são presas em celas separadas e Christine faz um surto psicótico. Surgem dúvidas quanto a responsabilidade do crime. 5- Doutor Logre, psiquiatra, testemunha no sentido da irresponsabilidade das irmãs Papin, adiantando várias hipóteses sobre a presumível anomalia mental de ambas. 6- Christine e Léa Papin não são executadas e cumprem a pena separadamente. 7- Christine morre na prisão e Léa ao ser solta vai trabalhar como camareira num hotel.
Objetivo:
O texto se propõe a oferecer algumas considerações psicanalíticas sobre o motivo do crime paranóico cometido por Christine e Lea Papin no dia 2 de fevereiro de 1933. Um artigo foi publicado sobre este assunto em dezembro de 1933 pela revista Minotaure, incluído na edição de Da Psicose Paranóica em suas relações com a Personalidade (seguido de "Primeiros Escritos sobre a Paranóia") de Jacques Lacan. Minhas palavras, aqui, se organizam em torno de 4 pontos: Apresentando as irmãs Papin; As irmãs Papin no espelho; O olho e um olhar; Uma conclusão não-toda. O fato jornalístico mostrou as imagens do crime, porém não conseguiu explicar o seu enigma, ou seja, o motivo pelo qual levou as duas assassinas, Christine e Léa Papin a passaram ao ato porque as palavras faltaram. O que poderia ter levado as irmãs a cometer este crime? A imprensa, na época, divulgou que as duas irmãs trabalhavam como empregadas na casa burguesa, onde moravam mãe e filha. Eram consideradas empregadas-modelo e desenvolviam bem a arte culinária. No ato do julgamento, as irmãs nada alegaram como motivo para o crime e, até, disseram que gostavam das patroas. Um detalhe sutil e não menos estranho parece oferecer uma pista do poderia ter ocorrido. A palavra não circulava entre as patroas, entre as irmãs e nem entre umas e outras. A entrada de um terceiro era impossível, transformando, assim, as relações num jogo dual e, consequentemente, mortal. Essa forma de mudez, longe de ser um vazio sem sentido, se transformou em um curto-circuito das palavras, materializando-se através de um simples curto-circuito elétrico. Dito de outra forma, o ato assassino foi em decorrência de um silêncio que questiona toda linguagem e subverte toda a autoridade. Ato, este, que não atinge as palavras mas que carrega um sentido que explode em violência. Na noite do crime, as patroas, ao chegarem em casa, se dão conta da falta de luz e ficam muito aborrecidas com as irmãs. Mas o que elas teriam dito para ocasionar o ato assassino? Qual seria a palavra "mágica" que nunca poderia ter sido dita? A cena foi aterradora. Uma irmã como mandante do ato assassino e a outra como diria o dito popular: "macaca de imitação", arrancam os olhos das vítimas ainda vivas e usando vários instrumentos cortantes, matam-nas como se estivessem preparando pedaços de carne para servir no jantar. A agressividade é correlata da identificação narcísica, ou seja, é própria do tempo especular. Já a violência é a ação da pulsão agressiva. No caso das paranóias essa pulsão agressiva é encontrada de modo muito intenso e não há mediação da lei. O ato desfaz a construção delirante. É uma descarga súbita para se afastar do desamparo diante do corpo morcelado. Há um tipo de apaziguamento no crime e isso é encontrado no caso das irmãs, quando depois do ato dizem: "Agora, está tudo limpo". Lavam as ferramentas sujas de sangue e se deitam na cama. Depois do ato , aí mesmo é que não há nada o que dizer.
2- Em 2 de fevereiro de 1933, as irmãs matam a patroa e sua filha a sangue frio sem motivo aparente. 3- Em 30 de setembro de 1933, Christine e Léa Papin são condenadas pelo júri. 4- As irmãs são presas em celas separadas e Christine faz um surto psicótico. Surgem dúvidas quanto a responsabilidade do crime. 5- Doutor Logre, psiquiatra, testemunha no sentido da irresponsabilidade das irmãs Papin, adiantando várias hipóteses sobre a presumível anomalia mental de ambas. 6- Christine e Léa Papin não são executadas e cumprem a pena separadamente. 7- Christine morre na prisão e Léa ao ser solta vai trabalhar como camareira num hotel.
Objetivo:
O texto se propõe a oferecer algumas considerações psicanalíticas sobre o motivo do crime paranóico cometido por Christine e Lea Papin no dia 2 de fevereiro de 1933. Um artigo foi publicado sobre este assunto em dezembro de 1933 pela revista Minotaure, incluído na edição de Da Psicose Paranóica em suas relações com a Personalidade (seguido de "Primeiros Escritos sobre a Paranóia") de Jacques Lacan. Minhas palavras, aqui, se organizam em torno de 4 pontos: Apresentando as irmãs Papin; As irmãs Papin no espelho; O olho e um olhar; Uma conclusão não-toda. O fato jornalístico mostrou as imagens do crime, porém não conseguiu explicar o seu enigma, ou seja, o motivo pelo qual levou as duas assassinas, Christine e Léa Papin a passaram ao ato porque as palavras faltaram. O que poderia ter levado as irmãs a cometer este crime? A imprensa, na época, divulgou que as duas irmãs trabalhavam como empregadas na casa burguesa, onde moravam mãe e filha. Eram consideradas empregadas-modelo e desenvolviam bem a arte culinária. No ato do julgamento, as irmãs nada alegaram como motivo para o crime e, até, disseram que gostavam das patroas. Um detalhe sutil e não menos estranho parece oferecer uma pista do poderia ter ocorrido. A palavra não circulava entre as patroas, entre as irmãs e nem entre umas e outras. A entrada de um terceiro era impossível, transformando, assim, as relações num jogo dual e, consequentemente, mortal. Essa forma de mudez, longe de ser um vazio sem sentido, se transformou em um curto-circuito das palavras, materializando-se através de um simples curto-circuito elétrico. Dito de outra forma, o ato assassino foi em decorrência de um silêncio que questiona toda linguagem e subverte toda a autoridade. Ato, este, que não atinge as palavras mas que carrega um sentido que explode em violência. Na noite do crime, as patroas, ao chegarem em casa, se dão conta da falta de luz e ficam muito aborrecidas com as irmãs. Mas o que elas teriam dito para ocasionar o ato assassino? Qual seria a palavra "mágica" que nunca poderia ter sido dita? A cena foi aterradora. Uma irmã como mandante do ato assassino e a outra como diria o dito popular: "macaca de imitação", arrancam os olhos das vítimas ainda vivas e usando vários instrumentos cortantes, matam-nas como se estivessem preparando pedaços de carne para servir no jantar. A agressividade é correlata da identificação narcísica, ou seja, é própria do tempo especular. Já a violência é a ação da pulsão agressiva. No caso das paranóias essa pulsão agressiva é encontrada de modo muito intenso e não há mediação da lei. O ato desfaz a construção delirante. É uma descarga súbita para se afastar do desamparo diante do corpo morcelado. Há um tipo de apaziguamento no crime e isso é encontrado no caso das irmãs, quando depois do ato dizem: "Agora, está tudo limpo". Lavam as ferramentas sujas de sangue e se deitam na cama. Depois do ato , aí mesmo é que não há nada o que dizer.
AS IRMÃS PAPIN NO ESPELHO
Lacan diz que entrou na psicanálise " com uma vassourinha que se chamava o estádio do espelho". Mas o que é o estádio do espelho? Resume-se no processo pelo qual o bebê assume a imagem de seu corpo como sendo sua, ou seja, identificando-se com ela. "Eu sou essa imagem". As consequências desta frase revelam que o bebê fica capturado por essa imagem e, apesar de ficar preso nela por toda sua vida, isso é fundamental para a constituição do eu. Afinal, o eu não existe desde o nascimento. Ele é constituído num determinado tempo lógico, onde o bebê não se vê mais aos pedaços e sim como uma unidade. Na verdade, é uma construção, uma ilusão e até mesmo uma invenção necessária, pois o que realmente existe é o vazio deixado pela mãe, que é tamponado por algo. Longe de se tratar de um momento pacífico, este poderia ser descrito como o horror do jogo especular. O bebê ao se ver no espelho pensa que o eu é o outro semelhante e rivaliza com sua própria imagem. A descoberta de ser igual ao outro, seu semelhante, gera uma disputa acirrada, pois o mesmo objeto será desejado. Assim, nesta luta pelo objeto de desejo, alguém precisa morrer, pois neste lugar só há espaço para um e não para dois. É o que acontece entre as irmãs que tomam as patroas como rivais.
A paixão de Narciso por sua própria imagem, não reconhecida por ele mesmo, leva-o a morte ao tentar fundir-se à ela. Momento dual e mortal, onde a agressividade se manisfesta como sendo própria da constituição subjetiva para que o eu possa ser investido amorosamente. Talvez o amor seja o maior inferno pelo qual o humano terá que passar.
As irmãs Papin são como almas gêmeas. Uma espelha a outra, adiando o trágico desmantelamento desta sensível imagem especular. A palavra não entra como meio de fazer com que esta imagem se mantenha enquanto uma unidade.Houve a foraclusão de uma palavra, a qual, era encarregada de dar o sentido da cadeia das palavras. A foraclusão possui uma breve semelhança com o termo jurídico préclusão que significa a perda do direito por não exercer a defesa no tempo devido. Fazendo uma ponte entre direito e psicanálise, foraclusão diz respeito a um tempo lógico em que a palavra é expulsa, ou seja, nada se quer saber sobre seu sentido e uma vez rejeitada não tem mais o direito de voltar ao lugar de onde foi excluído. Penso que o ato criminoso na psicose acontece, como um retorno dessa palavra foracluída pela via do real devido ao sujeito não querer saber sobre o simbólico. Qualquer iminência de furo, aponta para o perigo da aparição do corpo morcelado. Partindo deste princípio, seria neste ponto frágil que as patroas teriam tocado, provocando a fúria das irmãs?
As patroas ameaçam separá-las devido a inabilidade de uma das irmãs, Léa, e isso transferiu o que deveria ter ficado como metáfora de ódio "eu lhe arrancarei os olhos", para a passagem ao ato de arrancar os olhos das vítimas. A perturbação com as palavras apareceu na ausência da metáfora. Aí, só resta uma saída que é pelo ato criminoso onde as irmãs tentam não se despersonalizar. Na prisão, as irmãs são separadas e Christine não aguenta que sua outra metade seja tirada de si, seu espelho através do qual poderia manter a ilusão de uma unidade, e surta. Para Christine a dor da separação é insuportável, levando-a à morte tempos depois. É como no mito de Aristófanes, onde existiria um tempo de completude em que os seres eram duplos.Estes começaram a se achar mais poderosos que o próprio Zeus. Assim, Zeus indignado com tal audácia separa os seres duplos e eles ficam tentando encontrar sua outra metade para voltar ao estado de completude. Esse mito revela um pouco sobre a questão dos crimes duplos cometidos geralmente por parentes próximos, pai e filho, mãe e filha, irmãos e irmãs. Esta loucura à dois se refere a este tempo de completude, onde a falta é faltosa, possibilitando, assim, essa união, onde o que um faz é imitado pelo outro pois um se reconhece no olhar do outro e vice-versa e mantem a ilusão da imagem. Partindo da ilusão da imagem por que Léa consegue se manter narcisicamente e Christine não?
O OLHO E UM OLHAR
Dos olhos vazados de Édipo ao olhar mortal da Medusa, é da castração que se trata. Édipo possuído pela loucura de saber quem ele era, tentando se apropriar de seu próprio destino, paga um preço que vai lhe "custar os olhos da cara", como diz o dito popular, pois já não era mais possível se ver e nem ser visto. Mas as irmãs não se situam neste mesmo tempo lógico em que Édipo se pergunta: Quem sou eu? Que queres de mim? O que é uma mãe? Elas não querem saber sobre isso. Apenas estão unidas no espelho e presas pelo olhar. Christine não aguenta ficar sem ver seu próprio reflexo no olhar de Léa. É aí, olho no olho, que uma sustenta a imagem da outra. Assim, elas se reconhecem como uma só. Para tal Léa empresta o seu olhar para a irmã Christine.
Arrancar os olhos das patroas me fez a seguinte questão: que tipo de olhar era o olhar dessa mãe para essas filhas? Talvez um olhar perseguidor, explorador, invasivo, que merecesse ser arrancado literalmente? Sobre isso nada é sabido. É apenas uma questão.
UMA CONCLUSÃO NÃO-TODA
Este trabalho teve a proposta de refletir sobre o crime cometido pelas irmãs Papin e questionar a terminologia da psiquiatria clássica que definiria as duas como psicopatas. Afinal, o que é um psicopata? Esta pergunta perde sua importância, na medida em que o estudo do caso, pelo viés da psicanálise, vai fazendo emergir aquilo que no âmbito das imagens não é passível de entendimento. A Psicanálise oferece um ensinamento não no sentido de mestria, e, sim, para mostrar como a vida possui um equilíbrio instável. Todo homem carrega seus demônios em sua alma e o que faz uns permanecerem nas palavras e outros recorrerem ao ato ainda constitui um enigma. Somente através da singularidade de cada caso é que se desvenda o mistério do crime estudado. Sendo assim, o tempo do crime e a escolha do objeto criminógeno possuem uma relação pré-estabelecida com o sujeito criminoso que executa literalmente o que deveria ficar em palavras. O insuportável da alternativa que se coloca no plano imaginário "ou ele ou eu" revela que é só a partir de um simbólico que poderia haver um espaço para caberem dois, para que isso pudesse ser articulado de outra forma e não ao pé da letra.
NOTAS E REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. MILLER, J. Percurso de Lacan: uma introdução. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor,1994, pag.16.
BIBLIOGRAFIA
1. LACAN, J. "O estádio do espelho como formador da função do eu." in Escritos, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor,1998.
2._______, "A agressividade em psicanálise." in Escritos, op. cit.
3._______, "Introdução teórica às funções da psicanálise em criminologia." in Escritos, op.cit.
sexta-feira, fevereiro 17, 2012
Jacques-Alain Miller: Sobre o Amor
Entrevista realizada por Hanna Waar
J-A Miller: Amar
verdadeiramente alguém é acreditar que, ao amá-lo, se alcançará a uma
verdade sobre si. Ama-se aquele ou aquela que conserva a resposta, ou
uma resposta, à nossa questão “Quem sou eu?”.
Por que alguns sabem amar e outros não?
J-A Miller: Alguns sabem provocar o amor no outro, os serial lovers - se posso dizer - homens e mulheres. Eles sabem quais botões apertar para se fazer amar. Porém, não necessariamente amam, mas brincam de gato e rato com suas presas. Para amar, é necessário confessar sua falta e reconhecer que se tem necessidade do outro, que ele lhe falta. Os que crêem ser completos sozinhos, ou querem ser, não sabem amar. E, às vezes, o constatam dolorosamente. Manipulam, mexem os pauzinhos, mas do amor não conhecem nem o risco, nem as delícias.
“Ser completo sozinho”: só um homem pode acreditar nisso…
J-A Miller: Acertou! “Amar, dizia Lacan, é dar o que não se tem”. O que quer dizer: amar é reconhecer sua falta e doá-la ao outro, colocá-la no outro. Não é dar o que se possui, os bens, os presentes: é dar algo que não se possui, que vai além de si mesmo. Para isso, é preciso se assegurar de sua falta, de sua “castração”, como dizia Freud. E isso é essencialmente feminino. Só se ama verdadeiramente a partir de uma posição feminina. Amar feminiza. É por isso que o amor é sempre um pouco cômico em um homem. Porém, se ele se deixa intimidar pelo ridículo, é que, na realidade, não está seguro de sua virilidade.
Amar seria mais difícil para os homens?
J-A Miller: Ah, sim! Mesmo um homem enamorado tem retornos de orgulho, assaltos de agressividade contra o objeto de seu amor, porque esse amor o coloca na posição de incompletude, de dependência. É por isso que pode desejar as mulheres que não ama, a fim de reencontrar a posição viril que coloca em suspensão quando ama. Esse princípio Freud denominou a “degradação da vida amorosa” no homem: a cisão do amor e do desejo sexual.
Por que alguns sabem amar e outros não?
J-A Miller: Alguns sabem provocar o amor no outro, os serial lovers - se posso dizer - homens e mulheres. Eles sabem quais botões apertar para se fazer amar. Porém, não necessariamente amam, mas brincam de gato e rato com suas presas. Para amar, é necessário confessar sua falta e reconhecer que se tem necessidade do outro, que ele lhe falta. Os que crêem ser completos sozinhos, ou querem ser, não sabem amar. E, às vezes, o constatam dolorosamente. Manipulam, mexem os pauzinhos, mas do amor não conhecem nem o risco, nem as delícias.
“Ser completo sozinho”: só um homem pode acreditar nisso…
J-A Miller: Acertou! “Amar, dizia Lacan, é dar o que não se tem”. O que quer dizer: amar é reconhecer sua falta e doá-la ao outro, colocá-la no outro. Não é dar o que se possui, os bens, os presentes: é dar algo que não se possui, que vai além de si mesmo. Para isso, é preciso se assegurar de sua falta, de sua “castração”, como dizia Freud. E isso é essencialmente feminino. Só se ama verdadeiramente a partir de uma posição feminina. Amar feminiza. É por isso que o amor é sempre um pouco cômico em um homem. Porém, se ele se deixa intimidar pelo ridículo, é que, na realidade, não está seguro de sua virilidade.
Amar seria mais difícil para os homens?
J-A Miller: Ah, sim! Mesmo um homem enamorado tem retornos de orgulho, assaltos de agressividade contra o objeto de seu amor, porque esse amor o coloca na posição de incompletude, de dependência. É por isso que pode desejar as mulheres que não ama, a fim de reencontrar a posição viril que coloca em suspensão quando ama. Esse princípio Freud denominou a “degradação da vida amorosa” no homem: a cisão do amor e do desejo sexual.
quarta-feira, fevereiro 15, 2012
Luto e melancolia de Freud em nova edição
"Luto e melancolia" é um texto que todos deveriam ler, não só os candidatos à psicanalistas.
Saiu uma nova edição desta vez traduzido do alemão e não do inglês, como as edições anteriores.
Vejam aqui.
quinta-feira, janeiro 26, 2012
Contardo Calligaris observa o BBB
Embaixo do edredom do "BBB"
Indiciar Daniel é como a polícia prender um ator que teria realizado os crimes previstos no roteiro
Na madrugada entre sábado e domingo retrasados, o "brother" Daniel Echaniz, 31, e a "sister" Monique Amin, 23, deitaram-se numa cama do "Big Brother Brasil 12". Ao que parece, ambos estavam para lá de Bagdá.
Graças a câmaras hipersensíveis, os assinantes do "BBB" 24 horas entreviram assim uma movimentação sugestiva debaixo do edredom de oncinha que cobria Daniel e Monique. Alguns se indignaram porque, aparentemente, Daniel se agitava, enquanto Monique ficava parada.
Mais tarde, Monique disse se lembrar de beijos e amassos, e só: se Daniel tivesse feito mais, ele seria "mau-caráter", pois ela tinha desmaiado. Daniel afirmou que não houve relação sexual. Mesmo assim, ele foi expulso do "BBB" por "comportamento inadequado" e encara agora, "no mundo real", uma acusação de estupro (caso seja provado que ele transou com Monique enquanto ela estava inconsciente).
Quando eu era criança, durante um verão na Espanha, eu insistia para assistir a todas as touradas.
Não é que eu fosse um "aficionado" da cruel e requintada arte de tourear; eu só queria ver sangue na arena, esperava que, ao menos uma vez, o touro enfiasse seu corno na pança do toureador. Depois de um mês vendo cavalos de picador sendo feridos, tive "sorte": vi um toureador esventrado por um majestoso Miúra, da Andaluzia.
O espectador do "BBB" não é diferente de mim naquelas férias espanholas, e a Globo, no caso, aposta em sua curiosidade um pouco mórbida: a possibilidade que haja comportamentos inadequados é a razão para alguém ficar acordado de madrugada, assistindo ao "BBB" 24 horas. Tanto faz, você dirá: que os espectadores queiram comportamentos inadequados ou se indignem por causa deles, de qualquer forma, Daniel teria ido longe demais -transar com uma mulher inconsciente é crime.
Concordo. Mesmo assim, quando li que a polícia tinha indiciado Daniel, achei bizarro, como se as forças da ordem se metessem num palco de teatro ou num set de cinema, para prender um ator que teria realizado o crime previsto no roteiro.
Espere aí, alguém objetará, o "BBB" não é uma ficção! Esse, de fato, é o argumento de venda de todos os reality shows. No entanto, segundo, por exemplo, Scott Stone (roteirista de "The Mole", "The Man Show" etc.), os reality shows, antes de serem escrotos, são, sobretudo, escritos. Obviamente, eles não seguem um roteiro acabado, com cenas e diálogos detalhados, mas se alimentam numa sinopse escrita de situações, conflitos e alianças desejáveis entre personagens.
Daniel e Monique podem não ser atores, e o episódio do edredom pode não ser dramaturgia. Mesmo assim, as ações entre "brothers" e "sisters" do BBB não são propriamente "realidade".
No mínimo, os reality shows são parentes da "commedia dell'arte": improvisações a partir de um "canovaccio" (roteiro rudimentar), com personagens escolhidos porque eles correspondem às máscaras estereotipadas das quais o "canovaccio" precisa. De muitas dessas máscaras, aliás, espera-se que produzam comportamentos inadequados.
Então, se Daniel for acusado e processado, o "BBB" deveria ser acusado e processado com ele, por instigar o crime, ou seja, por ter, de uma certa forma, "roteirizado" o suposto estupro de Monique.
Em suma, a "realidade" produzida pelos "reality shows" é duvidosa, e considerar crime o "comportamento inadequado" de Daniel não é muito diferente de a polícia invadir o set de "Dormindo com o Inimigo" para salvar Julia Roberts e prender Patrick Bergin, o marido espancador.
Mas talvez eu esteja me preocupando por nada; talvez, nessa confusão entre realidade e ficção, a chegada de polícia e procuradoria ao "BBB" seja apenas mais um artifício dramático, para convencer o público de que o show é mesmo "de verdade".
Bom, nesta semana, além de Daniel e Monique, tivemos a grávida de quadrigêmeos factícia e a Luiza que está no Canadá. Não sei se Daniel e Monique se darão mal ou bem. Luiza ganhou vários contratos comerciais "reais". Resta que a mulher dos quadrigêmeos pode ser acusada de falsidade ideológica.
Será que é justo? Ela inventou uma história, que se tornou pauta e nos entreteve. Ganhou um dinheiro com isso? E por que não? Afinal, foi menos do que ganha um ficcionista médio.
Seja como for, Zé Simão é sortudo: sem querer desmerecer seu talento, é óbvio que o mundo (ou é só o Brasil?) faz de tudo para facilitar seu trabalho.
Artigo da Folha de São Paulo.
segunda-feira, janeiro 09, 2012
domingo, janeiro 08, 2012
sábado, dezembro 17, 2011
Crianças e a moda
"Suri Cruise é uma diva. Aos 5 anos, a filha de Tom Cruise e Katie Holmes,
que já entra até em lista das mais bem-vestidas do ano,
está sempre linda e não dispensa um saltinho discreto,
para horror dos puristas em relação ao guarda-roupa infantil."
Do Glamurama.
Observação minha:
Uma criança vestida assim é muito linda, mas não
seria exagero? Onde a naturalidade da menina?
OK, os paparazzi estão ai para o clique, então é
preciso estar como uma diva.
Este é o mundo das imagens, do
instantâneo.
Tomara que ela não se perca no meio desta
exposição excessiva.
quinta-feira, dezembro 15, 2011
O amor é sempre virtual?
Antonio Canova- Eros e Psiquê
Encontros e desencontros amorosos
Vivemos em busca de um encontro, encontro mágico que preencheria o nosso vazio existencial, acabaria com a solidão. Este encontro, encantado, não existe, porque cada um de nós vem com suas fantasias, carregamos nossos fantasmas... temos uma expectativa tão especial que, quase sempre, é frustrada.
Somos seres complexos, não somos previsíveis. Temos momentos de generosidade, de doação, mas na maior parte do tempo estamos à espera que o outro nos dê aquilo que esperamos, sem que ele saiba o que desejamos. Nem mesmo nós, na maioria das vezes, sabemos o que desejamos do nosso parceiro, a não ser amor incondicional.
Os encontros amorosos acontecem quando imaginamos que o outro vai suprir nossas expectativas. Quando acreditamos que o parceiro é nosso par ideal- a outra metade da maçã. Quando estamos identificados com este outro, que nem conhecemos. Apenas supomos ser. Quando percebemos aspectos que não gostamos, acreditamos que ele poderá mudar- mudará por nós- haverá a mudança mágica para sermos felizes para sempre.
Na entrega amorosa acreditamos ser um em dois.
Muitas vezes estamos apaixonados pela paixão, pelo estar enamorado, com toda a adrenalina que isto traz. É uma viagem maravilhosa e assustadora, cheia de ansiedades e alegrias, onde o medo de perder o objeto amado se faz constante.
Este encanto se quebrará em algum momento, pode ser com um gesto bobo, uma palavra mal- dita, uma escolha “brega”, uma sujeirinha no antes belo sorriso.
Uma descoberta que não se encaixa naquilo que imaginávamos do ser amado.
Algumas pessoas, mais que outras, entram em pânico diante de incertezas, ficam dominadas pelo ciúme. Aqui, entram os fantasmas de cada um. Se você experimentou abandono na infância, viverá a espera de um novo abandono, não haverá amante, amantíssimo, que o deixe seguro. Você perdeu lá atrás. Estará à espera de um reconhecimento, que faltou quando era imaturo- quando estava em formação psíquica.
A paixão, o estar apaixonado se quebrou, mas há afeto, há amor.
Por que diferenciamos paixão de amor?
O amor seria mais generoso, mais tolerante, cúmplice. Quando amamos vemos no outro defeitos, mas, mesmo assim, sentimos afeto por ele, algumas imperfeições nos comovem e nos fazem transbordar de afeto. Lembro de um casal de atores famosos franceses- Yves Montand e Simone Signoret- ele disse numa entrevista, jamais esquecerei, que quando a via colocando os óculos, depois dos 50 anos, se enchia de afeto.
Na maioria dos casais, existe muita intolerância, cobrança, muita culpa jogada no outro pela própria infelicidade. Quando isto acontece é hora de parar e repensar a relação. Pensar o que esta relação significa. O que esta pessoa representa.
Temos medo de mudar, medo do novo, medo de falar de assuntos delicados, de mágoas, e não percebemos que estes sentimentos vão alimentando o rancor, nos distanciando de quem amamos e nos adoecendo.
Na década de 70, no auge do amor livre e de liberdade sexual, as pessoas passaram a viver sem limites, tudo era válido, tudo devia ser dito, confessado. Eu discordo, nem tudo deve ser dito, por que contar para o parceiro uma fantasia sexual, por exemplo? Este comportamento acabou gerando casais que se propunham “modernos”, mas que na realidade estavam confusos, quanto ao comportamento.
Tudo pode?
Não.
Então por que não guardar as fantasias? Afinal é o que temos de mais intimo.
Atualmente, temos disponível uma quantidade enorme de livros, revistas, que se propõem a ensinar casais a se relacionarem. Fomos todos bombardeados por manuais, vídeos sobre sexo, como dar prazer, como obter prazer. Isto trouxe mais informações- o que não havia antes- mas também um nível de exigência muito grande, não basta um orgasmo, é preciso ser múltiplo, é preciso saber onde é o ponto G.
Sabemos que isto tudo é irrelevante numa relação amorosa, pois cada casal tem uma
química própria, não existem regras, na verdade. Não sabemos o que se passa entre um casal na intimidade.
O mundo real é muito diferente do mundo criado pela mídia e pelo nosso imaginário. Vivemos com nossas imperfeições os nossos encontros e desencontros amorosos.
E “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, como diz o poeta Caetano.
A paixão é virtual- sempre se passa via nosso imaginário- e o amor seria virtual, também?
E os amores na internet seriam sempre virtuais? Agora você tem a palavra. O que pensa sobre isto?
Diga o que pensa, nós o ouvimos.
Encontros e desencontros amorosos
Vivemos em busca de um encontro, encontro mágico que preencheria o nosso vazio existencial, acabaria com a solidão. Este encontro, encantado, não existe, porque cada um de nós vem com suas fantasias, carregamos nossos fantasmas... temos uma expectativa tão especial que, quase sempre, é frustrada.
Somos seres complexos, não somos previsíveis. Temos momentos de generosidade, de doação, mas na maior parte do tempo estamos à espera que o outro nos dê aquilo que esperamos, sem que ele saiba o que desejamos. Nem mesmo nós, na maioria das vezes, sabemos o que desejamos do nosso parceiro, a não ser amor incondicional.
Os encontros amorosos acontecem quando imaginamos que o outro vai suprir nossas expectativas. Quando acreditamos que o parceiro é nosso par ideal- a outra metade da maçã. Quando estamos identificados com este outro, que nem conhecemos. Apenas supomos ser. Quando percebemos aspectos que não gostamos, acreditamos que ele poderá mudar- mudará por nós- haverá a mudança mágica para sermos felizes para sempre.
Na entrega amorosa acreditamos ser um em dois.
Muitas vezes estamos apaixonados pela paixão, pelo estar enamorado, com toda a adrenalina que isto traz. É uma viagem maravilhosa e assustadora, cheia de ansiedades e alegrias, onde o medo de perder o objeto amado se faz constante.
Este encanto se quebrará em algum momento, pode ser com um gesto bobo, uma palavra mal- dita, uma escolha “brega”, uma sujeirinha no antes belo sorriso.
Uma descoberta que não se encaixa naquilo que imaginávamos do ser amado.
Algumas pessoas, mais que outras, entram em pânico diante de incertezas, ficam dominadas pelo ciúme. Aqui, entram os fantasmas de cada um. Se você experimentou abandono na infância, viverá a espera de um novo abandono, não haverá amante, amantíssimo, que o deixe seguro. Você perdeu lá atrás. Estará à espera de um reconhecimento, que faltou quando era imaturo- quando estava em formação psíquica.
A paixão, o estar apaixonado se quebrou, mas há afeto, há amor.
Por que diferenciamos paixão de amor?
O amor seria mais generoso, mais tolerante, cúmplice. Quando amamos vemos no outro defeitos, mas, mesmo assim, sentimos afeto por ele, algumas imperfeições nos comovem e nos fazem transbordar de afeto. Lembro de um casal de atores famosos franceses- Yves Montand e Simone Signoret- ele disse numa entrevista, jamais esquecerei, que quando a via colocando os óculos, depois dos 50 anos, se enchia de afeto.
Na maioria dos casais, existe muita intolerância, cobrança, muita culpa jogada no outro pela própria infelicidade. Quando isto acontece é hora de parar e repensar a relação. Pensar o que esta relação significa. O que esta pessoa representa.
Temos medo de mudar, medo do novo, medo de falar de assuntos delicados, de mágoas, e não percebemos que estes sentimentos vão alimentando o rancor, nos distanciando de quem amamos e nos adoecendo.
Na década de 70, no auge do amor livre e de liberdade sexual, as pessoas passaram a viver sem limites, tudo era válido, tudo devia ser dito, confessado. Eu discordo, nem tudo deve ser dito, por que contar para o parceiro uma fantasia sexual, por exemplo? Este comportamento acabou gerando casais que se propunham “modernos”, mas que na realidade estavam confusos, quanto ao comportamento.
Tudo pode?
Não.
Então por que não guardar as fantasias? Afinal é o que temos de mais intimo.
Atualmente, temos disponível uma quantidade enorme de livros, revistas, que se propõem a ensinar casais a se relacionarem. Fomos todos bombardeados por manuais, vídeos sobre sexo, como dar prazer, como obter prazer. Isto trouxe mais informações- o que não havia antes- mas também um nível de exigência muito grande, não basta um orgasmo, é preciso ser múltiplo, é preciso saber onde é o ponto G.
Sabemos que isto tudo é irrelevante numa relação amorosa, pois cada casal tem uma
química própria, não existem regras, na verdade. Não sabemos o que se passa entre um casal na intimidade.
O mundo real é muito diferente do mundo criado pela mídia e pelo nosso imaginário. Vivemos com nossas imperfeições os nossos encontros e desencontros amorosos.
E “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, como diz o poeta Caetano.
A paixão é virtual- sempre se passa via nosso imaginário- e o amor seria virtual, também?
E os amores na internet seriam sempre virtuais? Agora você tem a palavra. O que pensa sobre isto?
Diga o que pensa, nós o ouvimos.
terça-feira, dezembro 13, 2011
Palmada no centro do debate
Do :: Diário de Natal - Palmada no centro do debate ::
Palmada no centro do debate
Lei que proíbe uso da força física para disciplinar crianças deverá ser votada pela Câmara
Por Sérgio Henrique Santos // sergiohenrique.rn@dabr.com.br
Por Sérgio Henrique Santos // sergiohenrique.rn@dabr.com.br
Um assunto polêmico poderá voltar ao debate nacional este mês de dezembro: a condenação da palmada na educação dos filhos. Nos próximos dias, uma comissão especial da Câmara dos Deputados deverá tomar uma decisão a respeito do projeto de lei 7.672/10, a chamada Lei da Palmada, que proíbe o uso da força física para disciplinar ou punir crianças e adolescentes. A proposta deverá mudar alguns artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e foi proposto pelo governo ainda na gestão do ex-presidente Lula. Caso aprovada, os pais que baterem nos filhos serão encaminhados para programas comunitários de proteção à família, tratamento psicológico ou psiquiátrico e cursos ou programas de orientação. Na mais branda penalidade, poderão receber uma advertência.
Considerada uma questão delicada, Elianne avalia como positiva a mudança na legislação, e questiona: "Até onde as pessoas têm direito sobre seus filhos? Têm o direito de subjugá-los, de feri-los?". E acrescenta: "Sabemos de pais que consideram filhas suas posses e as violentam sexualmente. Acredito que a lei vem proteger as crianças e jovens".
Cláudia Santa Rosa, do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), lamenta o fato de que as leis são necessárias apenas quando está instalada uma cultura que precisa ser mudada. "Historicamente a criança sempre foi vista como um adulto em miniatura. O entendimento era que bater educa. Eu não sou favorável a esse raciocínio. A lei é pertinente no momento em que ela busca a superação de uma cultura que deixa a criança em situação de sofrimento. Uma situação vexatória. A lei é positiva nesse sentido", diz.
A educadora salienta os danos psíquicos provocados pelo hábito de bater nos filhos, e afirma que já ouviu todo tipo de depoimento sobre o assunto, inclusive pessoas que disseram que as palmadas ou até formas mais agressivas como uso de cinto, foram boas para sua criação. "Hoje essas pessoas afirmam que aquilo foi positivo. Mas também ouço pessoas que dizem que nunca precisaram apanhar dos pais. Na minha experiência como educadora de mais de 20 anos na escola, vejo que a criança que apanha é potencializada a querer bater nas outras. Quase sempre nas mais frágeis que ela. A criança que apanha busca repetir a agressão que recebe nos colegas mais frágeis".
Danos e limites
A violência física provoca danos na vida adulta de uma pessoa que apanhou na infância. "Se você conversar com um pai ou mãe violento, por exemplo, vai descobrir que ele também apanhou quando criança e que acha natural bater. Outros podem ser revoltados contra os pais", afirma a psicanalista Elianne Abreu. A estudiosa ressaltou que é possível que a criança goste de apanhar por receber, no momento em que apanha, a atenção dos pais. "Mas isso é triste. Essa criança poderá buscar, mais tarde, na vida adulta, pessoas que a firam também".
A maioria dos especialistas afirmam que os limites precisam existir, mas sem precisar bater. Uma alternativa é fazer sanções com coisas ligadas ao prejuízo que ela causou, a começar colocando horários para cada tarefa do dia. A educadora Cláudia Santa Rosa traz um exemplo. "Se a criança brinca no horário em que deveria estar fazendo uma tarefa da escola, os pais podem colocar uma sanção, cessando o direito de assistir TV ou usar o brinquedo que a fez deixar de executar a tarefa correta".
domingo, dezembro 04, 2011
A destruição de um ídolo- Dr. Sócrates
A morte de Sócrates nos dá muita tristeza. Fico a pensar o por quê de um homem do talento dele, educação- um ídolo amado por multidões-, se deixar destruir. É hora de todos nós, brasileiros, pararmos para refletir sobre os efeitos do álcool sobre nosso organismo. Nos últimos meses fomos surpreendidos por várias notícias sobre doenças provocados pelo excesso do álcool- câncer principalmente. O que fazer quando alguém exagera no álcool? É difícil convencê-lo de que se excede, sabemos, mas com insistência é possível levá-lo a um tratamento. Alcóolatras não procuram psicoterapia, acreditam que não precisam- a bebida é uma forma de alienação. Para que tomar consciência dos seus conflitos se um copo pode resolver rapidamente, anestesiar? É uma luta e um sofrimento para familiares. Todos precisam ter ajuda, se tratar, para poderem lidar com a situação. Não desistam, se virem que alguém está se destruindo, procure ajuda. Uma vida sempre vale a pena. Vejam o Dr. Sócrates...que pena. Vejam aqui na foto ele e Zico- o que levou um a se destrir e o outro a continuar sua trilha, formando novos jogadores, continuando sendo o ídolo de tantos jovens?
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